Temer caiu no grampo da PF

Temer caiu no grampo da PF

Presidente não estava sob interceptação telefônica, mas foi gravado pelos federais quando conversava com o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), este sim alvo da escuta autorizada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo; diálogo no dia 4 de maio Temer e Loures conversaram sobre o Decreto dos Portos

Rafael Moraes Moura, Breno Pires, Julia Affonso e Fausto Macedo

19 Maio 2017 | 20h54

Michel Temer e Ricardo Rocha Loures. Foto: JBatista / Agencia Camara

O presidente Michel Temer (PMDB) caiu no grampo da Polícia Federal na Operação Patmos, desdobramento da Lava Jato. No dia 4 de maio deste ano, às 19h18, Temer recebeu ligação do deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), seu aliado. O alvo da interceptação, autorizada pelo ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), era o parlamentar. O presidente foi grampeado indiretamente.

A interceptação ocorreu em meio ao processo de delação premiada de executivos do Grupo JBS, entre eles Joesley Batista, que gravou conversas com Temer e com o senador Aécio Neves (PSDB-MG).


Loures procurou o presidente naquele dia para consultá-lo sobre uma informação que chegou a ele pelo senador Wellington Fagundes (PR-MT) relativa ao Decreto dos Portos. O diálogo do presidente com Loures durou 2 minutos e 27 segundos. Temer mais ouviu do que falou.

Ambos, presidente e deputado, são alvos da Operação Patmos. O parlamentar foi afastado do mandato por ordem de Fachin. Contra Temer e Loures foi aberto inquérito no Supremo por suspeita de corrupção passiva, obstrução à investigação e participação em organização criminosa.

A PF filmou Loures pegando uma mochila com R$ 500 mil em dinheiro vivo, propina da JBS, em São Paulo. Os agentes seguiram os passos do parlamentar em um procedimento denominado ação controlada.

LEIA O DIÁLOGO DO PRESIDENTE E SEU ALIADO

TEMER – Oi. Rodrigo
LOURES – Tá bom presidente?
TEMER – Tudo, bem e você, bem?
LOURES – Tudo. Tudo bem. Não, só para lhe fazer uma consulta. Agora, coisa de umas horas atrás uma informação, através lá do Senador Wellington, que já teria sido assinado o Decreto dos Portos, não sei se é verdade ou não ..
TEMER – Não, não foi não.
LOURES – Pediu para eu verificar, é.
TEMER – Não. Não foi.
LOURES – Porque ele marcou uma reunião com o Padilha para, quarta-feira da .semana que vem e ele estranhou a informação, então …
TEMER – Não. Vai ser assinado na quarta-feira à tarde .. Vai ser numa solenidade até, viu?
LOURES- Mas então, os termos já estão ajustados, é isso?
TEMER – Aí já não sei dizer RODRIGO, precisa falar com o PADILHA
LOURES – É, eu falei com ele e talvez seja isso-, porque o WELLINGTON ficou com a impressão que ainda haveria uma nova conversa, mas talvez, talvez não.
TEMER – Não sei. Aquela coisa dos setenta anos lá para todo mundo parece que está acertando aquilo lá …
LOURES – Não. Isso equacionou, isso equacionou. Aí tinha lá uma interpretação dos “RJt93” que ainda havia dúvida ….
TEMER – Ah, bom. Essa dai que eu não sei. Eu não sei como é que ficou viu?
LOURES- É, mas eu vou ..
TEMER- Dá uma olhada lá com o GUSTAVO, com o pessoal lá.
LOURES- Eu vou falar com eles e vou avisar o Wellington. Ele foi para o estado, mas eu mando uma mensagem para ele.

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