Tem espaço para uma trilogia, diz diretor de ‘PF, A Lei é Para Todos’

Tem espaço para uma trilogia, diz diretor de ‘PF, A Lei é Para Todos’

Em entrevista, Marcelo Antunez conta sobre a elaboração do próximo longa e o elenco, que poderá ser mantido

Julia Affonso e Ricardo Brandt, enviados especiais a Curitiba

02 Setembro 2017 | 12h00

Marcelo Antunez. Foto: Pilar Olivares/Reuters

A sequência do filme ‘Polícia Federal – A Lei é Para Todos’ já começou. Pelo menos no fim do primeiro longa. A cena final – acrescida após fim da produção – mostra a filmagem dos delatores da JBS entregando uma mala de dinheiro para o primo do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e promete que o filme não vai parar no primeiro.

O diretor Marcelo Antunez afirma que o projeto é fazer uma trilogia. Segundo ele, ‘enquanto a Operação Lava Jato nos der assunto e o povo continuar querendo a assistir, vamos continuar contando, porque parece que assunto não falta’.

“Vamos ligar para Brasília? Os roteiristas de Brasília são muito mais criativos que o meu. Olha que os meus são bastante”, declarou.


“O que a gente pode dizer por enquanto é que a gente acha que tem espaço para uma trilogia. Esse é o nosso objetivo. A gente já está desenvolvendo um segundo roteiro que conta os eventos de março do ano passado até o mais próximo possível”, disse Antunez na terça-feira, 29.

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Naquele dia, o diretor conversou sobre o filme que tinha feito sua pré-estreia em um cinema de Curitiba, terra da Lava Jato, na segunda-feira, 28. Compareceram à sessão o juiz federal Sérgio Moro, símbolo da operação, o juiz federal Marcelo Bretas, da Lava Jato, no Rio, o procurador Deltan Dallagnol e delegados da Polícia Federal.

Nesta entrevista, Marcelo Antunez fala sobre a elaboração do próximo longa e o elenco, que poderá ser mantido.

VEJA A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA

ESTADÃO: A pulverização da Lava Jato e uma dificuldade para a elaboração dos próximos filmes?

MARCELO ANTUNEZ: Sem dúvida. Mas o primeiro filme também tinha muita dificuldade. Essa história, embora ela tenha uma característica tipicamente cinematográfica, de começar pequena e ir crescendo, o problema da Lava Jato, do ponto de vista de narrativa de cinema, ela já é pulverizada. Ela não vem pequenininha e vai crescendo numa direção. Ela cresce em várias direções, muito horizontalmente. Não tem uma investigação única, vertical. A gente já sofreu isso no primeiro roteiro. A gente tentou escolher eventos que eram mais polêmicos, mais importantes, que mobilizaram a opinião pública de maneira geral. No segundo filme, a decisão é a mesma. É uma dificuldade o fato de ter pulverizado, mas a gente vai de novo escolher os eventos que são mais relevantes, que as pessoas têm mais dúvidas, que as pessoas debatem mais porque essa é a proposta, manter as pessoas debatendo. Vamos tentar trazer os eventos que promovam mais debate.

ESTADÃO: O elenco vai ser mantido para o próximo filme?

MARCELO ANTUNEZ: O que é muito bacana da nossa decisão de ter criado personagens fictícios é justamente o fato de a gente poder mantê-los agora. Independente de para onde essa operação para a vida real foi, depois de março, onde a gente parou, essa história com a delação do Marcelo Odebrecht, com o avanço das investigações, com JBS aparecendo, por aí vai, Sérgio Cabral, enfim, todos os eventos do Rio de Janeiro, essa investigação se pulverizou no Brasil. Ela foi para Brasília, para o Rio de Janeiro, para São Paulo, então, em tese a gente teria que começar a abrir muitos novos personagens. Não faz sentido isso, nós já temos os nossos personagens e eles são fictícios. A gente tem a liberdade de contar essa história sempre através desses personagens. Lógico que vão ter adequações de personagens, vão entrar alguns novos, não sei se vai ser necessário tirar alguns dos que estão no primeiro filme, mas a gente tem toda liberdade de mantê-los.

ESTADÃO: A Lava Jato ser um processo majoritariamente público facilitou na elaboração do filme?

MARCELO ANTUNEZ: Total, foi fundamental. Posso dizer com tranquilidade que se isso não tivesse acontecido, não teria filme. Ou pelo menos teria um filme muito diferente. Uma coisa que me atraiu era ter pelo menos esteticamente, visualmente coisas muito reais. Os quadros que estão de fundo, que o Julio Cesar escreve, que estão na sala do Ivan, e por aí vai, eu tirei todas as informações de documentos que estão públicos. As transcrições da delação do Paulo Roberto, a transcrição da oitiva do presidente Lula em Congonhas, não teria essas cenas. Eu não arriscaria colocar palavras na boca dessas pessoas. A gente teve facilidade de ter acesso aos documentos. Acho que isso dá uma veracidade, dá um colorido especial para o filme.

ESTADÃO: O juiz Sérgio Moro aparece pouco no filme. Houve algum pedido para isso?

MARCELO ANTUNEZ: Ele já é por natureza uma pessoa muito reservada, e muito difícil extrair uma resposta dele. Ao contrário dos policiais. Os policiais, você pergunta, conversam muito. Acho que é natural até pela posição dele. Ele se preserva muito. Não houve pedido nenhum. Até não tivemos esse grau de intimidade a ponto de fazer algum tipo de pedido. O que está retratado no filme é o que a gente pode perceber.

ESTADÃO: Houve algum tipo de reclamação dos políticos?

MARCELO ANTUNEZ: Não sou a melhor pessoa para dizer isso. A função do produtor, entre outras coisas, é me preservar artisticamente. Ficar me expondo a essas manifestações políticas, extra cinema, ele me protegeu disso. Mas eu soube que houve várias representações contra o filme. Acho que é natural que isso aconteça, mas eu não sei de nenhuma em específico.

 

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