Taxista confirma depósito de R$ 440 mil em ‘sacola de dinheiro’ a operador de Bendine

Taxista confirma depósito de R$ 440 mil em ‘sacola de dinheiro’ a operador de Bendine

Marcelo Marques Casimiro alegou ao juiz federal Sérgio Moro ter pego pacotes a mando de empresário André Gustavo Vieira, apontado como intermediário de propinas entre o ex-presidente do Banco do Brasil e a Odebrecht

Luiz Vassallo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

09 Outubro 2017 | 16h32

Marcelo Casimiro. Foto: Reprodução de depoimento

O taxista Marcelo Marques Casimiro admitiu, nesta segunda-feira, 9, que fez depósito de R$ 440 mil na conta de André Gustavo Vieira, apontado como operador do ex-presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, em supostas propinas de R$ 3 milhões da Odebrecht. Ele ainda alegou que, após reunião na construtora, o empresário o pediu para buscar dois pacotes mediante apresentação de senha das mãos de um desconhecido, e deixá-los em seu apartamento em São Paulo. Casimiro foi arrolado como testemunha de acusação no processo.

+ Tribunal mantém Bendine e seus operadores na prisão da Lava Jato
+ Por Bendine, motorista diz ter guardado R$ 86 mil em sua casa

Em 17 de junho de 2015, dois dias antes do empresário Marcelo Bahia Odebrecht ser preso pela Polícia Federal, em sua mansão no Morumbi, em São Paulo, alvo da Operação Lava Jato, o taxista Marcelo Marques Casemiro foi contratado por um publicitário de Recife (PE) para ir até um edifício residencial no bairro Paraíso, em São Paulo, receber uma encomenda. Era um pacote com R$ 1 milhão em dinheiro vivo que a Odebrecht mandou entregar como primeira das três parcelas da propina do ex-presidente da Petrobrás e do Banco do Brasil Aldemir Bendine, segundo sustenta o Ministério Público Federal. Casimiro alega desconhecer o conteúdo dos pacotes.


Ele também narra que recebeu uma sacola de André Gustavo Vieira com R$ 440 mil e que foi orientado a depositar o dinheiro na conta do empresário.

“Entregou para mim em uma sacola. Em espécie. Fiz o depósito”, afirmou, sobre R$ 440 mil que recebeu de André Gustavo.

O taxista ainda foi questionado sobre o motivo de, em seu depoimento, prestado em março de 2016 à PF, constar que ele teria feito os favores a Antonio Carlos Vieira, irmão de André Gustavo.

O procurador que o interrogou nesta segunda-feira, Athayde Ribeiro Costa, 9, notou a contradição e alertou a Moro, ao final de sua rodada de perguntas que ‘há evidências claras de que ele não está falando a verdade’.

Casimiro rebateu afirmando que, quando prestou esclarecimentos no primeiro semestre, reiterou diversas vezes aos investigadores que era próximo de André Gustavo Vieira e não tinha contato com Antonio Carlos Vieira.

O nome de Casemiro, o endereço e senhas associadas ao codinome “Cobra” registradas nos arquivos das secretárias do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht – a máquina de fazer propinas do grupo, que movimentou US$ 3,3 bilhões entre 2006 e 2015 – e levaram a Lava Jato até os donos da Arcos e aos pagamentos de corrupção de Bendine.

O publicitário Antonio Carlos Vieira da Silva e seu irmão, André Gustavo Vieira da Silva, são réus pela suposta operacionalização do repasse de R$ 3 milhões em propinas da Odebrecht ao ex-presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, em 2015. De acordo com as investigações, inicialmente, ainda na presidência do Banco do Brasil, Bendine teria pedido R$ 17 milhões de propinas em troca da facilitação da rolagem de uma dívida da Odebrecht Agroindustrial.