STF condena a 7 anos de reclusão deputado do Rio por crimes ambientais

STF condena a 7 anos de reclusão deputado do Rio por crimes ambientais

Washington Reis (PMDB) foi acusado pelo Ministério Público Federal por dano a uma área em Duque de Caxias à época em que era prefeito do município (2005/2008)

Julia Affonso, Fausto Macedo e Fabio Serapião

14 Dezembro 2016 | 05h30

deputado Washinton

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o deputado federal Washington Reis (PMDB/RJ) a 7 anos, 2 meses e 15 dias de reclusão, e 67 dias multa, pela prática de delitos previstos na Lei de Crimes Ambientais e na Lei sobre Parcelamento do Solo Urbano. A decisão, tomada nos autos da Ação Penal 618, foi unânime. O parlamentar foi acusado por causar dano ambiental a uma área na qual determinou a execução de loteamento em Duque de Caxias (RJ) à época em que era prefeito do município, entre 2005 e 2008 – em janeiro próximo, Reis volta à administração municipal de Duque de Caxias porque foi eleito novamente.

Documento

As informações foram divulgadas no site do Supremo.

Os crimes pelos quais o parlamentar foi condenado estão previstos no artigo 40 (caput), combinado com o artigo 15 (inciso II, ‘a’ e ‘o’) e artigo 53 (inciso I) da Lei 9.605/1998, e no artigo 50 (incisos I, II e III) e seu parágrafo único (inciso I) da Lei 6.766/1979, combinada com artigos 62 (inciso I) e artigo 69 do Código Penal.

Segundo a denúncia, recebida pelo juiz da 4.ª Vara Federal de São João de Meriti (RJ), o parlamentar, quando era deputado estadual no Rio e depois prefeito de Duque de Caxias (RJ), teria, juntamente com outros acusados, causado danos ambientais a uma área na qual determinou a execução de um loteamento denominado Vila Verde. A área estaria na zona circundante da Reserva Biológica do Tinguá.

Com a diplomação do parlamentar na Câmara dos Deputados, no final de 2010, os autos foram deslocados para o Supremo. Em agosto de 2011, o relator do caso, ministro Dias Toffoli, determinou o desmembramento do processo, permanecendo como réu no Supremo apenas o deputado federal, detentor de prerrogativa de foro.

Na sessão desta terça, 13, ao se manifestar sobre o mérito da ação, o relator informou que os autos comprovam que ‘o parlamentar atuou como coautor dos crimes apontados, uma vez que participou de todo o processo de loteamento da área, que ocorreu sem autorização do órgão público competente’.

Testemunhas confirmaram que o deputado ‘chegava a acompanhar pessoalmente o andamento das obras e que estava construindo sua própria casa no condomínio’. O relator ressaltou, ainda, que, conforme laudos técnicos apresentados pelo Ibama, ‘as obras causaram danos permanentes à área, que não permitem a regeneração do meio ambiente’.

As áreas em que foram constatados os danos ambientais ficavam dentro da área de amortecimento da Rebio Tinguá, a cerca de 200 metros da Unidade de Conservação de Proteção Integral. A ação foi julgada procedente em parte, uma vez que a denúncia acusava o parlamentar por outros crimes, incluindo formação de quadrilha – artigo 288 do Código Penal – e crime de responsabilidade, previsto no Decreto Lei 201/1967, delitos que não ficaram comprovados, de acordo com o voto do relator.

Após fazer a dosimetria da pena, concluindo por uma sanção de 7 anos, 2 meses e 15 dias de reclusão, em regime inicial semiaberto, e ao pagamento de 67 dias-multa, no valor individual de um salário mínimo vigente à data do fato, corrigido desde essa mesma data, o relator determinou que, transitada em julgado a decisão, a Câmara seja oficiada para se manifestar sobre eventual perda do mandato parlamentar.

O ministro Ricardo Lewandowski apresentou uma divergência pontual quanto à dosimetria da pena, mas ficou vencido.

A reportagem enviou e-mail para o gabinete de Washington Reis na Câmara, na noite desta terça-feira, 13. O espaço está aberto para manifestação do deputado.

Mais conteúdo sobre:

STFcrimes ambientais