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OPERAçãO LAVA JATO

STF arquiva petição para investigar Randolfe Rodrigues na Lava Jato

Teori Zavascki, ministro relator no Supremo Tribunal Federal, acolheu pedido da Procuradoria-Geral da República

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Gustavo Aguiar e Beatriz Bulla, de Brasília

04 Janeiro 2016 | 16h16

Senador Randolfe Rodrigues

Senador Randolfe Rodrigues

O ministro relator Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o arquivamento da petição que poderia resultar em uma investigação contra o senador Randolfe Rodrigues (Rede – AP) no âmbito da Lava Jato. O ministro acatou um pedido formulado pela Procuradoria Geral da República (PGR).

Rodrigues foi citado em depoimento de delação premiada de Carlos Alexandre de Souza Rocha, o Ceará, um dos entregadores de dinheiro do doleiro Alberto Youssef. Segundo Ceará, Youssef mencionou o pagamento de R$ 200 mil ao senador.

Para o procurador-geral da República, Rodrigo Janot,  as informações colhidas contra Rodrigues não são suficientes para indicar de modo concreto e objetivo a autoria de crimes. Em depoimento à PGR, Youssef contradisse o ex-funcionário ao negar que conhecia o senador e ao afirmar que nunca conversou com Ceará sobre entrega de valores a Rodrigues.

Em nota, a assessoria do senador diz que a declaração de Rocha é “falsa, descabida, caluniosa e irresponsável”. “O Senador Randolfe jamais teve qualquer contato com os envolvidos e o próprio delator afirma, em mesmo depoimento, que ‘não sabe se esse valor foi efetivamente pago’, que ‘nunca entregou dinheiro para Randolfe nem o viu’.”

O teor da delação de Ceará, citando o senador, só se tornou público na semana passada, mas a decisão de Zavascki sobre o arquivamento da petição data de 9 de dezembro. No mesmo depoimento, Ceará afirma que efetuou repasse de valores ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) e ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Os parlamentares negam as acusações.

COM A PALAVRA, O SENADOR RANDOLFE

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) afirmou nesta segunda-feira, 4, que a menção do nome dele em delação premiada feita no âmbito da Operação da Lava Jato foi “plantada” como uma tentativa de desqualificar as investigações do Ministério Público Federal. Para Randolfe, há uma ação para intimidá-lo por ele ter demonstrado que poderá representar contra senadores no Conselho de Ética da Casa caso os parlamentares sejam implicados no esquema de corrupção da Petrobrás.

Randolfe foi citado na delação premiada de Carlos Alexandre de Souza Rocha, o Ceará, que disse ter ouvido de Alberto Youssef, para quem trabalhava como entregador de dinheiro, que o doleiro havia feito o repasse de R$ 200 mil ao senador. Youssef negou a informação, o que levou  o ministro relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), Teori Zavascki, a determinar o arquivamento da petição que poderia resultar em uma investigação contra Randolfe.

“A forma como ele (Ceará) faz a citação, de ouvir dizer, só me fortalece a compreensão que alguém tentou plantar isso com o sentido de ou desqualificar a Lava Jato ou igualar a todos no Congresso Nacional me levando também para a lama”, argumentou o senador. Randolfe afirma que ele e o partido que representa, a Rede, são os únicos com condições de questionar a conduta dos parlamentares no Conselho de Ética, como ocorreu no caso do senador Delcídio Amaral (PT-MS).

De acordo com o senador, a tentativa de envolvê-lo no escândalo da Petrobrás está relacionada com a decisão do Conselho de Ética da Casa de recuperar uma denúncia contra ele. A ação de dois anos atrás voltou à pauta do Conselho depois que Randolfe apresentou ao colegiado a representação que pode cassar o mandato de Delcídio, preso por tentar atrapalhar a Operação Lava Jato. O processo contra Randolfe, no entanto, foi arquivado.

“Estou sendo levado a acreditar que há uma ação por parte de uma cúpula para intimidar quem pode representar no Conselho de Ética contra eles em decorrência da Lava Jato”, afirmou o senador sem citar nomes. Rodrigues afirmou também que irá buscar detalhes na PGR sobre a delação de Ceará para tomar providências contra o delator. “Irei até as últimas consequências.”

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