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‘Sou um objeto em extinção pela honestidade’, afirma Fernando Padula

‘Sou um objeto em extinção pela honestidade’, afirma Fernando Padula

Quadro do PSDB, que foi chefe de gabinete da Secretaria da Educação por quase dez anos, afirma que não orientou 'Moita' sobre reequilíbrio financeiro de contrato de cooperativa sob suspeita na fraude da merenda escolar

Fausto Macedo, Julia Affonso e Ricardo Brandt

29 Janeiro 2016 | 07h10

Fernando Padula em janeio deste ano, quando ainda era chefe de gabinete da Secretaria de Educação do Estado. CRÉDITO: Diogo Moreira/A2IMG

Fernando Padula em janeio deste ano, quando ainda era chefe de gabinete da Secretaria de Educação do Estado. CRÉDITO: Diogo Moreira/A2IMG

O ex-chefe de gabinete da Secretaria da Educação do Estado (Governos José Serra e Geraldo Alckmin), Fernando Padula, rechaçou com veemência suspeitas de que teria orientado integrantes da organização investigada na Operação Alba Branca sobre como promover reequilíbrio financeiro de contrato da merenda escolar. “Sou um objeto em extinção pela honestidade e objeto raro porque permaneci por vários secretários”, disse Padula, que foi exonerado ontem do cargo. Segundo o novo secretário da Educação, José Renato Nalini, empossado nesta quinta, 28, a saída de Padula não tem ligação com a Alba Branca. Nalini  convidou um promotor de Justiça amigo seu para o cargo.

Grampos telefônicos pegaram três investigados da Alba Branca discutindo sobre aditivo para um contrato da Coaf, cooperativa que aparece no centro da investigação por fraude na venda de produtos agrícolas e suco de laranja superfaturado destinados à merenda escolar.

A interceptação flagrou diálogos do lobista Marcel Ferreira Júlio – filho do ex-deputado Leonel Júlio -, do vendedor da cooperativa Coaf César Bertholini, e de Luiz Roberto dos Santos, o ‘Moita’, que até um dia antes da deflagração da Operação Alba Branca ocupava o cargo de chefe de gabinete da Casa Civil do governo Alckmin, comandada por Edson Aparecido.

Segundo a Polícia Civil, o grupo chamava Padula com reverência, ‘nosso homem lá’.

O próprio Padula ligou para o Estadão, retornando contato da reportagem. Ele não se esquivou de nenhuma pergunta.

ESTADÃO: O sr. conhece ‘Moita’?

FERNANDO PADULA: Ele era chefe de gabinete, eu o conheço, naturalmente. Mas não falei com ele sobre contrato. Ele não me pediu orientação. Vira e mexe ligava aqui (na Educação), é uma função institucional da Casa Civil, recebe um monte de gente, ligava e eu atendia.

ESTADÃO: O sr. orientou ‘Moita’ sobre contrato da Coaf?

FERNANDO PADULA: Nunca tratei de contratos da Coaf. Contrato nem passava por mim.

ESTADÃO: Relatório da Polícia diz que investigados da Alba Branca chamavam o sr de ‘nosso homem’

FERNANDO PADULA: O contrato a que é feita referência (no grampo de ‘Moita’ com o lobista Marcel) não recebeu nem aditivo nem teve reequilíbrio financeiro. Se eu era o tal homem, esse homem era muito ruim.

ESTADÃO: O sr. conhece Cássio Chebabi, presidente da cooperativa?

FERNANDO PADULA: Nunca vi, não sei quem é. Nunca vi nenhum (dos investigados da Alba Branca).

ESTADÃO: O sr. tomou alguma medida depois que seu nome foi citado?

FERNANDO PADULA: Pedi uma apuração à Corregedoria setorial. Vou levantar a memória dos contratos para eu ter os números. Mas eu posso afirmar que não houve aditamento e nem reequilíbrio financeiro. É absolutamente ridícula a menção a meu nome.

ESTADÃO: Usaram o nome do sr?

FERNANDO PADULA: Esse pessoal desonesto adora levar vantagem, dizer que tem amigos, relação. Eu não me pauto pelos erros dos outros. Vou ser honesto a minha vida toda. Falta de caráter, desonestidade e corrupção não fazem parte do meu dicionário. Não é a ocasião que faz o ladrão, o ladrão já tá feito. Nunca vão conseguir manchar minha reputação. O fato concreto é que não houve aditivo nem reequilíbrio.

ESTADÃO: O sr. apoia a investigação?

FERNANDO PADULA: Espero que a investigação caia nas mãos de um Sérgio Moro (o juiz da Lava Jato). Não sou investigador, mas vou colaborar com a Justiça, a polícia, com todo mundo. Não tenho nada a ver com isso (as fraudes na merenda escolar).

ESTADÃO: O sr. foi exonerado hoje (quinta.28).

FERNANDO PADULA: Uma mudança absolutamente natural. A função é de confiança. Eu sou um objeto em extinção pela honestidade e objeto raro porque permeneci por vários secretários. Quero acima de tudo que a Educação dê certo, tem tudo prá dar certo porque conta com um time absolutamente competente.

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