‘Sou ministro dos que ganham menos’, diz Luislinda

‘Sou ministro dos que ganham menos’, diz Luislinda

Na entrevista que deu à Rádio Gaúcha na quinta-feira, 2, a ministra dos Direitos Humanos insistiu que tem direito a ganhar R$ 61,4 mil por mês, soma dos proventos de desembargadora aposentada do Tribunal de Justiça da Bahia e os vencimentos na Esplanada, como revelou a Coluna do Estadão

Redação

03 Novembro 2017 | 13h23

A ministra de Direitos Humanos, Luislinda Valois Foto: Wilson Dias/Agência Brasil

“Eu sou a ministra que trabalho, tenho o mesmo título dos demais ministros, mas sou ministro dos que ganham menos”, disse Luislinda Valois, a ministra dos Direitos Humanos que requereu acúmulo de contracheques para atingir um incrível valor mensal de R$ 61,4 mil – soma dos proventos de desembargadora aposentada do Tribunal de Justiça da Bahia (R$ 30.471.10) com os R$ 31 mil que o Tesouro paga para o pessoal top da Esplanada, os ministros.

Na entrevista que deu à Rádio Gaúcha na quinta-feira, 2, Luislinda insistiu na tese de que tem direito a ganhar a bagatela superior a R$ 60 mil, como revelou a Coluna do Estadão.

Alegou, entre outros pontos, que trabalhar em Brasília sem uma remuneração à altura seria como trabalho escravo.

O teto salarial do funcionalismo tem como baliza o holerite dos ministros do Supremo Tribunal Federal, R$ 33,7 mil. Os valores acima desse patamar ficam retidos pelo ‘abate teto’. Por isso, na ponta do lápis, Luislinda recebe R$ 2,7 mil por mês como ministra – afora, os mais de R$ 30 mil dos cofres públicos como aposentada do TJ/Bahia.

Depois da entrevista à Rádio Gaúcha, Luislinda anunciou desistência do pedido de aumento.

Veja trechos de suas declarações

“Gosto muito da verdade, é por isso que eu gosto da imprensa quando fala a verdade. É o meu direito de peticionar. Não agredi ninguém na minha petição. Recebo aposentadoria de um valor X. Mas recebo esse valor porque trabalhei mais de 50 anos trabalhando e pagando todas as minhas obrigações previdenciárias em dia, rigorosamente em dia.”

“Isso aí não se discute, porque é direito adquirido, é direito constitucional.”

“Depois, fui convidada para trabalhar aqui em Brasília, para trabalhar, não vim para passear. Depois, fui nomeada ministro de Estado dos Direitos Humanos. Eu moro em Brasília, moro aqui na 306 Sul, apartamento 202, onde estou hoje, feriado. Trabalho de segunda a segunda, mais de 12 horas por dia, e recebo um salário aproximado de menos de 3 mil reais.”

“É justo? O Brasil está sendo justo comigo?”

“O presidente da República, nem as autoridades atuais, não têm nenhuma culpa, nem as de outrora também.”

“Por que não se remunerar o trabalho? Eu repito, é o direito de peticionar. Eu peticionei, apenas citei (a escravidão) porque é um fato público e notócio. Todo mundo sabe como aconteceu a escravidão, não se tinha salário, nada.”

“Fiz alusão a um fato histórico. Agora, se querem, me condenar porque eu estou pedindo um salário, um vencimento, não é salário, que eu acho justo…”

“Meu Deus, eu quero saber quem é que senta aqui em Brasília para trabalhar como ministro e receber 2.700 reais. Eu tenho apartamento alugado aqui, onde eu pago condomínio de quase 1650 reais, não me lembro agora o valor exato. Então, não é justo que eu requeira?”

“Eu requeri. Sua Exelência autoridade julgadora vai deferir se achar que convém.”

“Eu coloquei (na petição ao governo) que o não pagamento de salário se assemelha (à escravidão). E como é que eu vou comer? Como é que vou beber? Como você vai se calçar?”

“Tenho (proventos de aposentada do TJ da Bahia) porque eu paguei rigorosamente, na forma da lei, as minhas obrigações previdenciárias.”

“Tenho que manter minha casa em Salvador, eu tenho que pagar IPTU, pessoal prá cuidar. Eu não moro em Salvador, eu moro aqui em Brasília. meus entes estão lá, eu tenho que manter.”

“Eu, como aposentada, podia vestir qualquer roupa, eu podia calçar uma sandália havaiana e sair pela rua. Mas, como ministra de Estado, eu não me permito andar dessa forma. Eu tenho uma representatividade.”

“Gente, eu só fiz um requerimento! Onde está o meu erro?”

“É o direito de peticionar, eu repito prá vocês. Eu estou aqui para aplicar a lei. Hoje não aplico mais, não sou mais desembargadora atuante, estou aposentada. Mas eu acho que é um direito que eu tenho porque eu trabalho.”

“Gente, eu não estou pretendendo amealhar (patrimônio). Agora, quero ter uma vida um pouco mais digna, um pouco melhor, a remuneração pelo que eu trabalho atualmente.”

“Eu tenho proventos (como aposentada do TJ/Bahia), são proventos.”

“Sou a ministra que trabalho, tenho o mesmo título dos demais ministros, mas sou ministro dos que ganham menos. Não sei quanto os outros ministros ganham, mas como ministra, esse mês, vou receber 2.700 (reais). É justo?”

“É o direito de peticionar, já disse, a autoridade que vai decidir.”

“Eu sou da paz, gente, eu não sou de briga, pelo amor de Deus.”

“Agora, achei que eu tenho um direito. Não é direito líquido e certo, então peticionei, como qualquer brasileiro.”

“Antes de ser ministro, sou brasileira, sou cidadã, eu voto, eu pago imposto, eu sou sujeita a doenças, nasci sujeita a morrer, como todos nós.”
“Não sei porque essa celeuma.”

“Eu não tenho jatinho, nem cartão corporativo, eu mesmo faço meu almoço, trabalho 12, 14 hs por dia.Trabalho de segunda a segunda. Eu compro minhas passagens (de avião) quando vou prá minha casa (em Salvador). Não uso espaço público.”

“Sou soteropolitano, saí de Salvador e vim morar aqui (em Brasília). E aqui, outras despesas, outros custos. Eu tenho que pagar alguém lá.”

“Todo mundo sabe que sou muito radical para comigo mesma.”

“Sou de origem pobre, não tenho esses hábitos requintados.”

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