Sistema eleitoral foi usado para propina a senador do PMDB, diz Janot

Sistema eleitoral foi usado para propina a senador do PMDB, diz Janot

Procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aponta que repasse de R$ 500 mil a Valdir Raupp tinha como objetivo assegurar a permanência do engenheiro Paulo Roberto Costa na Diretoria de Abastecimento da Petrobrás

Julia Affonso, Ricardo Brandt e Fausto Macedo

26 Setembro 2016 | 05h25

Rodrigo Janot. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Rodrigo Janot. Foto: Dida Sampaio/Estadão

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou na denúncia contra o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) que o sistema eleitoral foi usado para pagar propina de R$ 500 mil ao peemedebista. Raupp é acusado por corrupção e lavagem de dinheiro.

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A acusação contra o peemedebista, levada no dia 16 ao Supremo Tribunal Federal, narra que Valdir Raupp, com o auxílio de seus assessores Maria Clélia Santos e Pedro Roberto Rocha – seu cunhado -, recebeu propina de R$ 500 mil, em 2010, do esquema de corrupção instalado na Petrobrás.

Segundo Janot, os três ‘tinham total conhecimento de todos os aspectos ilícitos envolvidos e agiram de forma concertada, mediante divisão de tarefas’.

“A solicitação ocorreu entre o final do primeiro semestre e o início do segundo semestre de 2010 e o recebimento deu-se mediante duas doações eleitorais “oficiais” realizadas nos dias 27 de agosto de 2010 e 1 de setembro de 2010 em favor do Diretório Estadual do PMDB de Rondônia, nos valores, respectivamente, de R$ 300 mil e R$ 200 mil”, diz a denúncia.

Os valores, afirma Janot, abasteceram a campanha eleitoral de Raupp ao Senado.

“Não há dúvidas, portanto, de que o sistema eleitoral foi utilizado, no caso, para o pagamento disfarçado da propina em favor de Valdir Raupp de Matos”, acusa o procurador.

O dinheiro destinado ao peemedebista, segundo a denúncia, saiu do esquema da Diretoria de Abastecimento da Petrobrás, comandada naquele ano pelo engenheiro Paulo Roberto Costa.

“O repasse de propina a Valdir Raupp de Matos teve por finalidade a manutenção de Paulo Roberto Costa no cargo, seja com a não-interferência nessa nomeação e no funcionamento do esquema criminoso, seja com o fornecimento de apoio político para sua sustentação, por parte do parlamentar, então Senador, forte candidato à reeleição e nome de relevo do Partido do Movimento Democrático Brasileiro – PMDB, agremiação partidária da base do Governo Federal e uma das responsáveis pela Diretoria de Abastecimento da Petrobrás.”

Em audiência na PF, Maria Cléia e Pedro Roberto Rocha ficaram em silêncio.

COM A PALAVRA, VALDIR RAUPP

A reportagem mandou fez contato com o advogado do senador por meio de mensagem na tarde deste domingo, 25. O espaço está aberto.

Quando foi denunciado pelo Ministério Público Federal, em 16 de setembro, Valdir Raupp se manifestou desta forma.

Em nota, Raupp disse que a “denúncia oferecida pelo Ministério Público, lamentavelmente, tem equivocada interpretação dos fatos”.

Ele também afirmou que “jamais compactuou com qualquer ilícito” e que a doação recebida durante a campanha foi feita de maneira legal, via o diretório estadual do PMDB de Rondônia.

O senador disse ainda confiar na Justiça e diz que aguarda “serenamente a instrução do processo, certo de que a fragilidade das provas e dos argumentos apresentados conduzirão à sua absolvição”.

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