Sérgio Cabral vira réu por quadrilha, corrupção e lavagem

Sérgio Cabral vira réu por quadrilha, corrupção e lavagem

Procuradoria imputa a ex-governador e seu grupo 21 'fatos delituosos'; além do peemedebista, a mulher dele, Adriana Ancelmo també virou ré e foi presa nesta tarde após de entregar para a PF; outros 11 aliados do ex-governador são réus da Operação Calicute, inclusive ex-secretários de Estado

Julia Affonso, Fausto Macedo, Mateus Coutinho e Mariana Sallowicz

06 Dezembro 2016 | 15h20

Cabral foi preso pela Lava Jato. Foto: Wilton Junior/Estadão

Cabral foi preso pela Lava Jato. Foto: Wilton Junior/Estadão

A Procuradoria da República denunciou o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) por quadrilha, corrupção e lavagem de dinheiro. O juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio, recebeu a denúncia nesta terça-feira, 6.

Sérgio Cabral é acusado por 164 atos de lavagem de dinheiro e 49 de corrupção passiva.

São acusados na denúncia, além do ex-governador, 12 aliados seus, inclusive sua mulher Adriana Ancelmo – cuja prisão foi decretada pelo magistrado – e ex-secretários de Estado. Adriana se entregou nesta tarde à PF, que também realizou buscas em sua residência.

Os policiais foram ao apartamento do ex-governador, no Leblon, zona sul do Rio. Além da prisão, cumpriram busca e apreensão de joias, pedras preciosas, objetos de arte e dinheiro em espécie com valor igual ou superior a R$ 30 mil ou US$ 10 mil que não tenha prova de sua origem.

Os homens fortes de Cabral, durante os dois mandatos, ocuparam cadeiras estratégicas do Governo que teriam sido usadas para movimentar o esquema de arrecadação ilícita de recursos sobre grandes obras do Estado contratadas junto a empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato.

Sérgio Cabral foi preso em 17 de novembro na Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato que desvendou esquema milionário de propinas atribuído ao peemedebista. O peemedebista teria chefiado um grupo que girou R$ 224 milhões em corrupção.

A Procuradoria da República constatou que a organização supostamente chefiada por Sérgio Cabral era dividida em quatro núcleos – econômico, administrativo, financeiro operacional e político.

O núcleo político, afirmam os seis procuradores que subscrevem a denúncia, era formado pelo ‘líder da organização criminosa, o ex-governador Sérgio Cabral’.

O Ministério Público Federal afirma que esta é a primeira denúncia contra o esquema atribuído a Sérgio Cabral. “É necessário esclarecer que, considerando o tamanho e a complexidade da atuação da organização criminosa comandada pelo ex-governador Sérgio Cabral, no presente momento da investigação, foram produzidas e analisadas provas suficientes ao oferecimento de uma primeira denúncia, englobando, além da imputação de crime de pertinência a organização criminosa, os crimes de corrupção praticados em torno da atuação da Andrade Gutierrez, assim como parcela dos crimes de lavagem dinheiro.”

A acusação apontou para seis obras nas quais teria havido ‘acerto de propina’: expansão do Metrô de Copacabana, reforma do Maracanã para os Jogos Pan-Americanos de 2007, construção do Mergulho de Caxias, urbanização no Complexo de Manguinhos – PAC Favelas, construção do Arco Metropolitano e reforma do Maracanã para a Copa de 2014.

Segundo a Procuradoria, a contratação das obras do PAC Favelas, do Arco Metropolitano e do Maracanã foi realizada ‘mediante a prática de crimes de cartel e fraude à licitação, com acerto prévio dos vencedores, através de determinação ou anuência do governador Sérgio Cabral e dos secretários Wilson Carlos e Hudson Braga’.

OS DENUNCIADOS

Sérgio Cabral, ex-governador do Rio

Wilson Carlos, ex-secretário do Governo

Hudson Braga, ex-secretário de Obras

Carlos Miranda

Luiz Carlos Bezerra

Wagner Jordão Garcia

Adriana Ancelmo

Pedro Ramos de Miranda

Paulo Fernando Magalhães Pinto Gonçalves

José Orlando Rabelo

Luiz Paulo Reis

Carlos Jardim Borges

Luiz Alexandre Igayara

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