Sérgio Cabral pagou R$ 1 milhão por joias para celebrar 10 anos de casamento

Sérgio Cabral pagou R$ 1 milhão por joias para celebrar 10 anos de casamento

Ex-governador do Rio, réu na Operação Calicute, comprou um conjunto de brinco de ouro amarelo 18k com rubi, por R$ 400 mil, e de anel de ouro amarelo 18k com rubi, por R$ 600 mil, na joalheria H.Stern, em abril de 2014, para a mulher Adriana Ancelmo

Julia Affonso, Mateus Coutinho, Fausto Macedo e Wilson Tosta

06 Dezembro 2016 | 16h24

joai1milhao

O ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) pagou R$ 1 milhão por um conjunto de brinco de ouro amarelo 18k com rubi e de anel de ouro amarelo 18k com rubi na joalheria H.Stern. As joias foram compradas para celebrar os 10 anos de casamento com a advogada Adriana Ancelmo, segundo a denúncia da Operação Calicute, em abril de 2014, mês que o peemedebista deixou o governo do Rio.

Segundo a investigação, o brinco custou R$ 400 mil e o anel, R$ 600 mil.

“Sérgio Cabral gastou a espantosa quantia de R$ 1 milhão de dinheiro oriundo de corrupção e outros ilícitos para presentear a esposa Adriana Ancelmo com um conjunto de brincos e anel de rubis, no mês de abril de 2014, quando completaram 10 anos de matrimônio”, aponta a denúncia da Procuradoria contra o ex-governador do Rio.

joai1milhao2

A Procuradoria da República afirma que Sérgio Cabral comprou ‘sem emissão de notas fiscais’, ao todo, R$ 1,772 milhão na H.Stern. Adriana Ancelmo, segundo a Calicute, adquiriu R$ 520 mil ‘usando os rendimentos gerados pela organização criminosa que integra, especialmente com a finalidade ocultar a origem espúria de valores obtidos com a corrupção do marido, o denunciado Sérgio Cabral’.

Sérgio Cabral está preso desde 17 de novembro quando foi capturado pela Calicute. O juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal, do Rio, mandou prender nesta terça-feira, 6, a advogada Adriana Ancelmo, mulher de Sérgio Cabral.

A Procuradoria da República denunciou o ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB) por quadrilha corrupção e lavagem de dinheiro. O juiz federal Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio, recebeu a denúncia contra o ex-governador, 12 aliados seus, inclusive sua mulher Adriana Ancelmo e ex-secretários de Estado, que em seus dois mandatos ocuparam cadeiras estratégicas que teriam sido usadas para movimentar o esquema de arrecadação ilícita de recursos de grandes obras do Estado contratadas junto a empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato.

Segundo a denúncia, Sérgio Cabral e Adriana Ancelmo escolhiam ‘suas joias preferidas em casa’. Apontados como operadores financeiros do esquema, Carlos Miranda e Carlos Bezerra compareciam à sede da joalheria H.Stern ‘para entregar o dinheiro correspondente às peças adquiridas, as quais eram vendidas invariavelmente sem emissão de notas fiscais’.

A acusação aponta que Carlos Bezerra esteve seis vezes na sede da H.Stern, em Ipanema, entre 2014 e 2016, ‘todas elas igualmente pelo tempo compatível somente com a realização do acerto financeiro’.

A denúncia aponta que o ex-governador do Rio e Adriana Ancelmo, por 64 vezes, com a ajuda de cúmplices, supostamente lavaram pelo menos R$ 6.562.270,00 na compra de joias de alvo valor nas joalherias Antônio Bernardo da rua Marquês de São Vicente, na Gávea, e H. Stern da Rua Garcia d’Ávila, em Ipanema, ambas na zona sul.

“As aquisições eram feitas em espécie, sem emissão de notas fiscais, e os pagamentos eram realizados em momento posterior, com o propósito indisfarçável de lavar o dinheiro sujo angariado pela organização criminosa”, acusam os procuradores, que apontam suposto enquadramento do casal no crime de lavagem de ativos, artigo 1º, parágrafo 4º, da Lei 9.613/98.

Mais conteúdo sobre:

operação Lava Jato