Segovia toma posse com desafio de manter o ritmo das grandes investigações

Segovia toma posse com desafio de manter o ritmo das grandes investigações

Novo diretor-geral da Polícia Federal toma posse em cerimônia a ser realizada nesta segunda-feira, 20, no Ministério da Justiça

Fausto Macedo e Fabio Serapião

20 Novembro 2017 | 13h17

Fernando Segóvia. FOTO: ZECA RIBEIRO/CÂMARA DOS DEPUTADOS

O delegado Fernando Segovia toma posse como diretor-geral da Polícia Federal na manhã desta segunda-feira, 20, em cerimônia a ser realizada no Ministério da Justiça. Ex-superintendente no Maranhão, adido na África do Sul e integrante da corregedoria da corporação até ser indicado ao cargo de diretor pelo presidente Michel Temer, Segovia tem pela frente o desafio de dar continuidade às grandes investigações de combate à corrupção iniciadas por seu antecessor, Leandro Daiello, e como meta pessoal a unificação da instituição.

Além dos desafios na administração da PF, o novo diretor-geral também tem pela frente o desafio de esvazias as suposições levantadas sobre o apadrinhamento político responsável pela sua condução ao cargo. Ao Estado, o novo diretor-geral negou a indicação política de seu nome para o cargo e disse que não tem relação com o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) e com o ex-presidente José Sarney, ambos do PMDB. Sobre o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Augusto Nardes, o delegado afirmou que a relação se deu por causa de um convite para criação de um gabinete de segurança institucional na corte.

Sobre a tentativa de unir a PF, Segovia afirmou ter conquistado vários inimigos justamente por ter como objetivo a unificação – hoje, a corporação vive uma disputa interna entre agentes, peritos e delegados. “Penso em uma PF unida, sem distinção de cargos e categorias. Leia-se, claramente, dentro do campo profissional. Cada um tem seu lugar dentro da corporação. Enquanto alguns acham que mandam na corporação e que os outros são serviçais. Eu acredito em equipe e que todos aqui fazem parte de um grande time que chama PF”, disse Segovia.

Para colocar em prática o plano de unificação, Segovia promete nomear uma nova assessora parlamentar na PF que ficará responsável pela coordenação de um grupo de trabalho com as associações e sindicatos da PF. “A gente vai reunir todas as demandas, para que a gente coloque numa mesa de negociação com todas as associações. Tudo que houver uma concordância, tudo o que for proposta comum que vai colocar nessa mesa de negociação, vai receber a chancela da administração”, afirma o novo DG.

Enquanto tenta apaziguar o ânimos dos diversos grupos dentro da instituição, o novo diretor terá que lidar com as tensões políticas causadas pelo avanço das investigações contra desvios de dinheiro público e lavagem de dinheiro. Nessa seara, também ao Estado, o delegado prometeu acelerar as investigações que tramitam perante o Supremo Tribunal Federal (STF).

“Como há essa demanda reprimida dentro do STF (Supremo Tribunal Federal) e a necessidade que se tragam essas investigações na mesma velocidade das outras, talvez haja necessidade de reforço nessas investigações”, explicou o delegado sobre a necessidade de dar um ‘upgrade’ nos inquéritos de pessoas com foro privilegiado.

O novo diretor-geral poderá deixar para trás os rumores sobre o apadrinhamento político de sua nomeação com a manutenção de uma Polícia Federal atenta a todos os desvios de conduta envolvendo o Estado brasileiro e antenada com uma sociedade cada vez mais impaciente com agentes públicos e empresários corruptos. A resposta sobre a disposição de Segovia virá nos próximos meses. Tanto os diversos setores dentro da Polícia Federal como a população estarão de olho.