Secretário de Cabral preso hoje ainda exercia influência, diz MPF

Secretário de Cabral preso hoje ainda exercia influência, diz MPF

Lava Jato aponta que Régis Fichtner, preso nesta quinta-feira, 23, teria recebido R$ 1,56 milhões em vantagens indevidas e usado seu cargo como chefe da Casa Civil para favorecer empresas específicas

Constança Rezende

23 Novembro 2017 | 12h45

Régis Fichtner. Foto: Fabio Motta/Estadão

A procuradora do Ministério Público Federal (MPF), Marisa Ferrari, destacou que o ex-secretário da Casa Civil, Régis Fichtner, tinha um amplo poder na hierarquia organização criminosa liderada pelo ex-governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB) e exercia sua influência até hoje. Considerado um dos homens da cúpula do ex-governador, a procuradoria apontou que Fichtner, preso nesta quinta-feira, 23, na Operação C’est Fini, desdobramento da Lava Jato, teria recebido R$ 1,56 milhões em vantagens indevidas e usado seu cargo como chefe da Casa Civil para favorecer empresas específicas de outros integrantes da organização.

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“Fichtner tinha uma posição muito relevante dento do governo de Sérgio Cabral. Nos chamou atenção nas investigações o fato de que a empresa Líder Taxi Aéreo (que tem como assessoria o escritório de advocacia de Fichtner) tinha muitas isenções fiscais dadas pelo governo. Um dos fundamentos também para a instrução do processo é que foi detectado que ele poderia estar tentando se livrar da aplicação da lei penal, ao apagar um email que era utilizado para a comunicação com outros membros da organização. O cargo exercido por ele omo assessor da Procuradoria Geral do Estado demonstra a grande influência dele até hoje”, disse a procuradora, durante coletiva de imprensa na Polícia Federal, na Zona Portuária do Rio.

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Suplente de Sérgio Cabral no Senado de 2002 a 2007, Fichtner assumiu este cargo de 2006 a 2007. No mesmo ano, ele assumiu a secretaria da Casa Civil de Cabral, onde ficou até 2014. Pelos cálculos da contabilidade paralela apresentados pelo MPF, nesse último período, ele teria recebido cerca de R$ 1.560 milhões de propina em espécie da organização criminosa.

Os procuradores voltaram a reforçar que a situação que o Rio vive atualmente, de crise financeira, também é por conta da organização liderada por Cabral. Nesta Operação C’est Fini, o MPF constatou que chegou a todos envolvidos da festa conhecida como ‘Farra dos Guardanapos’. No episódio, secretários de Cabral e empresários que tinham altos contratos com o poder púbico se reuniram em Paris para uma confraternização de luxo.

A reportagem está tentando contato com os investigados. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, RÉGIS FICHTNER

A reportagem tentou contato com a defesa de Régis Fichtner. O espaço está aberto para manifestação.

COM A PALAVRA, A LÍDER

A Líder Aviação enviou nota nesta quinta-feira, 23, informando que participou de processo licitatório regular em 2012, juntamente com outras empresas, para a “prestação de serviços de táxi aéreo para o governo do estado do Rio de Janeiro/Casa Civil”. Os serviços foram prestados de 2012 a 2016, mediante prorrogação. Sobre a contratação do escritório de advocacia de Régis Fichtner, esta “ocorreu pontualmente no ano de 1999 e no ano de 2006, quando o advogado não participava do governo do Rio de Janeiro.” A nota diz ainda que a empresa fez doações de campanha “de forma legal e transparente, para diversos partidos políticos” e que “em seus 60 anos de existência, sempre se pautou pela ética, transparência e correção de suas atividades.”

COM A PALAVRA, MACISTE GRANHA DE MELLO FILHO

A defesa informou que não vai se manifestar.

COM A PALAVRA, O DEPARTAMENTO DE ESTRADAS DE RODAGEM DO RIO (DER-RJ)

Lineu Castilho Martins ocupa o cargo de assessor técnico do DER-RJ. O governo está avaliando o caso e até amanhã tomará uma decisão.

COM A PALAVRA, ALEXANDRE ACCIOLY

O empresário Alexandre Accioly divulgou nota informando que fez negócios legítimos com o empresário Georges Sadala, com quem tem relação “estritamente pessoal”, e não empresarial, e assegurando que tem “farta documentação comprobatória. Diz a nota: “O empresário Alexandre Accioly informa que prestou esclarecimentos a respeito da venda de um bem imóvel, aquisição de um automóvel e operação de crédito, cujo empréstimo foi integralmente quitado, firmados com Georges Sadala”. O comunicado informa também: “Todas as transações se deram em moeda corrente nacional, amparadas por farta documentação comprobatória – tais como escritura, documentos de compra e venda de bens e respectivas transferências bancárias (TEDs) -, e devidamente reportadas nas declarações de bens de Accioly referentes a cada exercício fiscal em que se verificaram.”

COM A PALAVRA, GEORGES SADALA

O empresário Georges Sadala enviou nota à imprensa em que critica o fato de ter sido preso preventivamente “sem que lhe fosse dada a oportunidade de esclarecer previamente os fatos que lhe são atribuídos, uma vez que jamais foi chamado a ser ouvido pelo Ministério Público Federal ou pela Polícia Federal em inquérito policial ou qualquer procedimento investigativo análogo”, e também sem ter dado indicativos de que não prestaria depoimento se solicitado. Diz a nota que “a prisão de Georges Sadala atende propósito meramente simbólico de alcançar o último personagem do enredo dos guardanapos, o que se evidencia pelo próprio nome dado à operação policial, ‘C’est fini’. Afinal, o empresário teve sua movimentação financeira e a de suas empresas completamente devassadas, não se encontrando qualquer indício concreto de repasses de recursos que lhe são atribuídos por delação isolada e jamais corroborada. O único fato concreto apurado e comprovado – e não negado pelo empresário – é sua amizade com o ex-governador Sergio Cabral, o que, por si só, não remete à prática de crime, nem à necessidade da prisão cautelar, de modo que confia que essa medida extrema será revista pelo próprio Poder Judiciário.”