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Secretária revela reuniões de Duque com operadores de propinas na Petrobrás

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MARIO GOES

Secretária revela reuniões de Duque com operadores de propinas na Petrobrás

Maria Elizabeth Patriota, que trabalhou com ex-diretor de Serviços durante 17 anos, disse que alvos da Lava Jato iam "com frequência" na estatal

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Redação

11 Junho 2015 | 05h15

Por Mateus Coutinho, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

Renato Duque, preso pela Lava Jato, também prestou consultoria para operador de propina

Renato Duque, preso pela Lava Jato, também prestou consultoria para operador de propina

A secretária Maria Elizabeth Macena Patriota, que trabalhou durante 17 anos com o ex-diretor de Serviços da Petrobrás, Renato Duque – preso desde fevereiro pela Operação Lava Jato – declarou à Justiça Federal que os lobistas Mário Frederico Góes e Julio Camargo – apontados como operadores de propinas na estatal – visitaram várias vezes seu antigo chefe na sede da estatal e com ele “tiveram reuniões”.

Ela também disse que outros investigados da Lava Jato, igualmente apontados como operadores de propinas, iam na Diretoria de Duque. Ao ser perguntada por um procurador da República sobre Milton Pascowitch e Shinko Nakandakari ela disse que os conhecia.

Pascowitch, que está preso, “falava mais ao telefone” com Duque, segundo ela. Nakandakari, afirmou a secretária, “ia com frequência” na Diretoria. Ele fez delação premiada e está em liberdade.

VEJA A ÍNTEGRA DA AUDIÊNCIA DE MARIA ELIZABETH NA JUSTIÇA FEDERAL NO PARANÁ

Em audiência na ação penal aberta contra Duque, réu por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Elizabeth depôs como testemunha de defesa e afirmou que o ex-diretor trabalhava “na normalidade”. Ela declarou que “nunca observou absolutamente nada de diferente” na conduta dele.

A secretária, que se aposentou em janeiro de 2015, disse que trabalhou 35 anos na estatal. Na Diretoria de Serviços, com Duque, ela ficou seis anos, entre 2006 e 2012. Antes, foi secretária de Duque em outra área.

Mário Góes é apontado como um dos 11 operadores de propina na Diretoria de Serviços – cota do PT no esquema de corrupção da Petrobrás. Ele foi sócio em uma lavanderia e na compra de um jato do ex-gerente de Engenharia da Petrobrás Pedro Barusco. Góes é acusado de operar propina para sete empreiteiras do cartel alvo da Lava Jato – pelo menos R$ 39,7 milhões foram pagos por essas empresas para uma companhia do lobista, entre 2008 e 2014, por supostos serviços de consultoria, a Riomarine Empreendimentos Marítimos.

Julio Camargo é citado como suposto lobista e pagador de valores ilícitos obtidos em negócios da estatal. Ele agia como “representante comercial” de grandes empresas.

Ao ser indagada se conhecia Mário Góes, a secretária respondeu. “Conheço de vista, ele esteve lá na Petrobrás sim, teve reuniões com o sr. Renato Duque. Mas é assim, onde eu sentava é distante da sala de reunião. Nós sabíamos assim, ‘ah, o visitante chegou’. A própria recepcionista leva a pessoa à sala de reunião.”

Um procurador da força-tarefa da Lava Jato indagou de Elizabeth se ela sabia dizer quantas vezes Góes foi à Diretoria de Duque. Ela disse que não sabia dizer, “sinceramente”.

“Era coisa esporádica, uma vez por ano?”, insistiu o procurador.

“Uma vez por ano não, mas não sei especificar quantas vezes.”

“Era frequente?”, prosseguiu o procurador.

“Eu não posso arriscar nada porque eu não tenho certeza.”

O procurador também perguntou à secretária se conhecia Julio Camargo. “Sim”, ela disse. O procurador perguntou se o lobista ia com frequência na Diretoria de Serviços. “É, sim.”

Shinko. Foto: Reprodução

Shinko. Foto: Reprodução

O procurador quis saber se Camargo ia “com mais frequência que Mário Góes”. Ela disse. “Não sei dizer, já passou tanto tempo eu não sei dizer se um ia mais que o outro. O sr. Julio Camargo, às vezes, levava empresas lá para serem recebidas. A gente tinha que ir até a sala de reunião para avisar, ‘ah, o diretor vai demorar’. O sr. Julio Camargo ia com frequência, agora não posso especificar aqui se ia toda semana, porque realmente eu não lembro. Prá isso tem lá a agenda dele (Duque), né?”

O procurador perguntou, ainda, sobre João Vaccari, ex-tesoureiro do PT, preso na Lava Jato sob suspeita de arrecadar propinas para o seu partido. “Conheço ele da televisão, lá na Petrobrás nunca vi.”

Afirmou que nunca viu na Diretoria de Serviços o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil).

Ela disse que o lobista Milton Pascowitch, também preso, mantinha contatos com a Diretoria de Serviços. “Eu não lembro muito dele lá, eu lembro por telefone, falar por telefone.”

Sobre o engenheiro Shinko Nakandakari, um dos delatores da Lava Jato, se ele ia na Serviços. “Sim, com uma certa frequência.”

Ela afirmou que “foi uma surpresa” quando Renato Duque foi indicado para a Diretoria de Serviços. “Eu estava ali trabalhando com ele (Duque) numa gerência de contratos e, de uma hora para outra, começou a sair o nome dele no jornal. Então, foi uma surpresa para todo o grupo que trabalhava com ele.”

Ao final da audiência, o juiz Sérgio Moro, que conduz as ações da Lava Jato, insistiu sobre as visitas do lobista Mário Góes. “Mário Góes esteve com o sr. Renato Duque?” Ela disse. “Sim, ele tinha agendamento, eu lembro de agendamento com esse nome sim, sr. Mário Góes.”

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