Ricardo Saud deixou de informar conta no Paraguai ao assinar acordo, diz Janot

Ricardo Saud deixou de informar conta no Paraguai ao assinar acordo, diz Janot

Ao pedir instauração de inquérito sobre gravação entre delatores da JBS, o procurador-geral da República afirmou ser necessário a 'aprofundar informação' sobre conta que o executivo não informou às autoridades quando firmou delação premiada

Fabio Serapião e Beatriz Bulla, de Brasília

04 Setembro 2017 | 20h19

Ao pedir instauração de inquérito sobre gravação entre delatores da JBS, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que o executivo Ricardo Saud ainda anexou um anexo complementar no qual declara ter uma conta no Paraguai não declarada às autoridades quando o Grupo assinou o termo de colaboração com o Ministério Público Federal.

“Ademais, o colaborador Ricardo Saud, também em 31/8/2017, apresentou anexo declarando possuir conta no exterior, mais especificamente no Paraguai, a qual não havia sido informada quando da assinatura do acordo em 3/5/2017. Essa informação precisa ser aprofundada, considerando que o momento da declaração patrimonial, que leva em consideração, inclusive, a estipulação do valor da multa e da eventual perda de valores ilícitos, dá-se com a apresentação de anexo patrimonial, antes do oferecimento da premiação”, afirmou Janot.

O Procurador-geral da República pediu investigação, nesta segunda-feira, 4, sobre um áudio, gravado por acidente, entre Joesley Batista e Ricardo Saud, com duração de 4 horas, no qual eles mencionam que o advogado Marcelo Miller, à época em que era procurador, teria atuado para garantir facilidades aos delatores junto à Procuradoria-Geral da República.

Miller integrou a força-tarefa da Operação Lava Jato e atuou nas delações do ex-senador Delcídio do Amaral e  do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado.

Após deixar o Ministério Público Federal, ele passou a integrar o escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe, e integrou o time de advogados que negociaram o acordo de leniência da J&F.

Janot pediu abertura de inquérito sobre a possível omissão de crimes pelos delatores e para investigar a menção ao ex-procurador da República.

Segundo o chefe do Ministério Público Federal, a investigação pode culminar com a anulação do acordo da JBS, mas está fora de cogitação anular as provas entregues pelos executivos.

COM A PALAVRA, A J&F

Segue a posição oficial da J&F sobre os acontecimentos de hoje.

A defesa dos executivos da J&F junto ao Ministério Público Federal informa que a interpretação precipitada dada ao material entregue pelos próprios executivos à Procuradoria-Geral da República será rapidamente esclarecida, assim que a gravação for melhor examinada.

Conforme declarou a própria PGR, em nota oficial, o diálogo em questão é composto de “meras elucubrações, sem qualquer respaldo fático”. Ou seja, apenas cogitações de hipóteses — não houve uma palavra sequer a comprometer autoridades.

É verdade que ao longo do processo de decisão que levou ao acordo de colaboração, diversos profissionais foram ouvidos — mas em momento algum houve qualquer tipo de contaminação que possa comprometer o ato de boa fé dos colaboradores.

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