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Russomanno é sócio de delator que confessou ter pago R$ 60 milhões em propina na Lava Jato

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Russomanno é sócio de delator que confessou ter pago R$ 60 milhões em propina na Lava Jato

Líder nas pesquisas para a disputa à Prefeitura de São Paulo em 2016 mantém negócios com Augusto Ribeiro Mendonça Neto, que admitiu ter repassado valores ilícitos para o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato de Souza Duque e para o PT

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Ricardo Chapola

13 Novembro 2015 | 12h00

Líder nas pesquisas para a disputa à Prefeitura de São Paulo, o deputado federal, Celso Russomanno (PRB-SP), é sócio de um empresário que confessou ter repassado R$ 60 milhões em propina ao ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato de Souza Duque e ao PT no âmbito da Operação Lava Jato.

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Russomanno (à esq.) e Mendonça Neto (à dir.)

O nome do empresário é Augusto Mendonça Neto, o primeiro executivo a firmar, em dezembro do ano passado, um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal e a Justiça na força-tarefa que investiga um esquema de corrupção na Petrobrás. Mendonça Neto é um dos poucos empresários investigados pela Lava Jato que ainda está solto.

O executivo pertencia à empresa Toyo Setal, que atuava no ramo de estaleiros. A empresa seria uma das que compunham o cartel que se apoderava dos maiores contratos da Petrobrás, segundo denunciou o ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, em uma de suas delações prestadas ao Ministério Público. Mendonça Neto deixou o conselho da Toyo Setal no início deste ano.

Russomanno e Mendonça Neto são sócios do Bar do Alemão, localizado em região nobre de Brasília (Foto: Andressa Anholete/Estadão)

Em sua delação, Mendonça Neto afirmou que desde 2004 houve uma combinação entre as empreiteiras do “clube” alvo da Operação Lava Jato para pagamentos de comissões para o ex-diretor de Serviços da Petrobrás e para o ex-diretor de Abastecimento Paulo Roberto Costa. “O valor da comissão partia em torno de 2% sobre o valor dos contratos, mas isso era negociado posteriormente, como no caso da Repar (Refinaria Presidente Getúlio Vargas, no Paraná), cujo valor de ‘comissão’ chegou a quase R$ 60 milhões no total”, afirmou Augusto Mendonça Neto.

Mendonça Neto e Russomanno são proprietários do Bar do Alemão, restaurante localizado no Lago Paranoá, região nobre de Brasília. O estabelecimento foi inaugurado logo depois das eleições municipais de 2012, disputada por Russomanno. Naquele ano, o parlamentar liderou as pesquisas de intenção de voto até o fim do primeiro turno, mas despencou depois de virar alvo de seus adversários.

Pouco antes do primeiro turno das eleições de 2012, o Estado revelou que Russomanno era sócio majoritário do bar sem ter gasto, segundo ele próprio na época, nenhum real.

A aquisição do estabelecimento às margens do Lago Paranoá foi responsável pelo aumento de 100% de seu patrimônio entre 2010 e 2012 – passou de R$ 1,1 milhão para R$ 2,2 milhões, segundo declarações entregues ao Tribunal Superior Eleitoral.

Segundo os registros da Junta Comercial do Distrito Federal, Russomanno tem participação de R$ 2,21 milhões no negócio – a maior do empreendimento, que tem, no total, R$ 7 milhões de capital. Ele aparece no documento como sócio-administrador do bar.

A operação financeira para tirar o projeto do papel contou com recursos de outros investidores. A principal sócia de Russomanno, Luna Gomes, é filha do ex-deputado Eduardo Gomes.

Além de Luna, também são sócios do parlamentar Geraldo Vagner de Oliveira e as empresas Unialimentar Comércio e Serviço de Alimentos e a Yellowwood Consultoria – cujos proprietários são Mendonça Neto e a irmã, Maria Stela Ribeiro de Mendonça. A Yellowwood tem participação de R$ 1,16 milhão no negócio.

O nome de Maria Stela também aparece nos autos da Operação Lava Jato como uma das sócias da empresa SOG Óleo e Gás. Em 2014, ela assinou um acordo de leniência com os investigadores da força tarefa, documento no qual também consta a assinatura do irmão. Procurada pela reportagem, Maria Stela se recusou a passar qualquer tipo de informação.

Procurado pelo Estado, Russomanno disse que vendeu suas cotas na sociedade depois de assumir o mandato na nova legislatura. “Assumindo o mandato nesta legislatura, e com o tempo escasso em face dos compromissos político-partidários assumidos na condição de Líder de Partido, Membro titular em Comissões e também do tempo destinado às gravações do programa, tornou-se inviável minha permanência no negócio, razão da venda do que me cabia na sociedade”, afirmou Russomanno, por meio de nota.  O nome do deputado também aparece como sócio-administrador nos registros da empresa no banco de dados da Receita Federal.

Em nota enviada à reportagem, Russomanno tratou Mendonça Neto como amigo. Disse ter conhecido o executivo em 1979, quando o empresário namorou a prima do parlamentar – com quem, segundo ele, se casou mais tarde. “Conheci o Augusto em 1979, namorando minha prima Isabel, que depois se casaram. Desde então, somos amigos. Ele foi um dos investidores no Bar do Alemão com 16,66% de participação”, escreveu o deputado.

Ainda no texto, Russomanno afirmou que sua saída da sociedade deve ser registrada na Junta Comercial do DF “nos próximos dias”. O parlamentar negou ter tido acesso aos negócios de Mendonça Neto com a Petrobrás. “Quero deixar registrado que nunca tive acesso aos negócios do Augusto com a Petrobrás e que tomei ciência dos fatos pela imprensa”, disse o parlamentar.

Mendonça Neto não quis se manifestar sobre o assunto.

O Estado também telefonou para o Bar do Alemão à procura de Mendonça Neto. O gerente do restaurante confirmou à reportagem que o empresário era sócio do empreendimento e afirmou que ele dificilmente aparecia no bar.

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