Robotização no Gerenciamento de Projetos

Edson Zogbi*

21 Novembro 2017 | 05h00

Será possível imaginarmos participar de um projeto no qual quem faz o gerenciamento é um robô? Como a inteligência artificial irá modificar o trabalho de um gerenciador de projetos?

Essa robotização será um dos enfoques em minha palestra na 16 edição do Seminário de Gerenciamento de Projetos, que será realizado nesta semana no Expo Center Norte, pelo PMI Capítulo São Paulo.

Essa questão e tantas outras permeiam todas as profissões e sempre tendemos a visualizar um humano no comando de muitos robôs, mesmo que seja apenas para ficar olhando, mas nunca o contrário, e porquê não?

Quem conhece criatividade e inovação sabe muito bem utilizar o “e se” e o “porquê não?” a favor da prospecção de cenários futuros. Não é preciso apenas usar a imaginação para perceber estas mudanças, quem mora no Brasil pode muito bem ver, ao vivo e a cores, muitas dessas coisas acontecendo nos países do primeiro mundo, basta viajar ou criar conexões que tragam este tipo de informação, porque isso já acontece em muitos lugares.

Como especialista em tendências, aponto que até 2025 teremos robôs gerenciando mais de 50% de um projeto, sendo que esse número pode diminuir se o projeto for de inovação, pois trata com mais incertezas, e pode aumentar muito se o projeto for uma simples replicação, como por exemplo: a implementação de uma fábrica padrão num local remoto da África.

Com o avanço da inteligência artificial, várias decisões gerenciais poderão ser feitas por robôs, que irão muito além do simples feedback hoje imputado em softwares de gestão de projetos. Um robô, ao receber uma questão, rastreará redes neurais e com seus algorítimos (que incluem auto-aprendizado) indicará a solução, ou soluções.

Assim, um gerenciador de projetos terá um aliado rápido e eficaz para acelerar os seus trabalhos e os da equipe envolvida. Na linha do tempo o robô tenderá a assumir mais e mais funções, praticamente empurrando o gerenciador de projetos para o domínio da gestão da inovação, onde dados não estão facilmente disponíveis e o aprofundamento nos temas criatividade e inovação farão a diferença entre o homem e a máquina. Por isso o gestor de projetos deverá incontornavelmente se aperfeiçoar com a gestão da inovação.

Diante deste cenário, utilizar gestores com perfil inadequado, bem como não saber definir perfis, será intolerável em projetos de inovação, daí a importância enorme que ganha o setor de recrutamento e seleção, sendo este também passível do mesmo processo de robotização, aliás, num tempo ainda mais curto e em maior grau, acredito eu, mas isto é tema para outro artigo.

*Edson Zogbi passou os últimos dez anos trabalhando em projetos de inovação para o Fundo Social Europeu, é Especialista em Criatividade, Inovação, Gestão da Inovação e Marketing. Autor de 40 livros e de 40 vídeos didáticos. https://ezinovacao.blogspot.com