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Operação Lava Jato

‘Robin’ é o novo delator da Lava Jato

Por Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt

08/01/2016, 05h00

   

Empresário Luis Eduardo Campos Barbosa da Silva é sócio do operador da SBM Julio Faerman, o 'Batman' ; apelidos foram revelados pelo ex-gerente Executivo da Petrobrás Pedro Barusco

Luis Eduardo Campos Barbosa da Silva, novo delator da Lava Jato. Foto: Reprodução

Luis Eduardo Campos Barbosa da Silva, novo delator da Lava Jato. Foto: Reprodução

O empresário Luis Eduardo Campos Barbosa da Silva é o novo delator da Operação Lava Jato. O executivo é sócio do operador da SBM Julio Faerman – outro delator do esquema de corrupção na Petrobrás – na empresa Oildrive Consultoria em Energia e Petróleo e ex-funcionário da Asea Brown Boveri (ABB). Segundo a Polícia Federal, Luis Eduardo ‘agiu como operador financeiro em favor das empresas Alusa, Rolls Royce e SBM’.

“Suspeito (Luis Eduardo) em receber informações privilegiadas para que a Alusa pudesse vencer licitação em curso na Petrobrás, além de repassar propinas, segundo delação de Pedro Barusco”, aponta relatório da PF. “Ele é um dos sócios da Oildrive Consultoria, uma das representantes da multinacional holandesa SBM Offshore, suspeita de pagar propinas em troca de contratos na Petrobrás.”

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Luis Eduardo, Julio Faerman e outros 10 investigados foram denunciados pelo Ministério Público Federal, em dezembro de 2015, por envolvimento no esquema de pagamento de US$ 42 milhões em propinas entre 1997 e 2012 por meio de contratos de aluguel de navios-plataforma da empresa holandesa SBM Offshore. A delação de Julio Faerman foi homologada pela Justiça em agosto do ano passado.

As investigações chegaram a Luis Eduardo por meio da delação premiada do ex-gerente executivo da Petrobrás Pedro Barusco. Segundo o delator, Julio Faerman e Luis Eduardo eram chamados de ‘Batman e Robin’, por andarem sempre juntos.

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Trecho da delação de Pedro Barusco

Na delação, Barusco afirmou que em 2007 foi firmado contrato entre a SBM e a Petrobrás para fornecimento do navio-plataforma P57, cujo valor do contrato foi de R$ 1,2 bilhão. Na época, o executivo disse que ocupava o cargo de Gerente Executivo de Engenharia da estatal. “Tendo o declarante recebido 1 % sobre o valor do contrato a título de propina, paga por Julio Faerman no período de 2007 até outubro de 2010″, declarou. “Todos os créditos nestas contas foram feitos à época por Julio Faerman como operador, o qual utilizava diversas contas e está verificando quais para detalhar, mas as mais utilizadas e que tem registro era a Cartmel Worldwide S.A. (pertencente a Luis Eduardo Barbosa, sócio de Julio Faerman).”

Na mira da Lava Jato. Em fevereiro de 2015, Luis Eduardo foi alvo de um mandado de condução coercitiva – quando o investigado é levado para depor e liberado – e outro de busca e apreensão. Na ocasião, o executivo afirmou em depoimento à PF, que após ele se tornar sócio de Julio Faerman, foram firmados três contratos relacionados a plataformas de petróleo, sendo um referente a venda da P57 e outros dois de afretamento das plataformas “Parati” e “Ilha Bela”.

“A venda da P57 custou em torno de US$ 1 bilhão, pagos pela Petrobrás à SBM no Brasil ou no exterior; que indagado se houve pagamento de vantagem indevida nessa venda, afirma que não sabe dizer neste momento, mas que se coloca à disposição para maiores esclarecimentos após obter informações detalhadas com Julio Faerman”, relatou à época.

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Trecho da delação de Pedro Barusco

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Trecho da delação de Pedro Barusco

No mesmo depoimento, Luis Eduardo disse à PF que a Oildrive atuou em favor da Alusa Engenharia como consultora, em 2005, ‘ajudando a desenvolver dentro da empresa um departamento de óleo e gás, que não existia até aquele momento, pois a empresa atuava no setor elétrico’. Segundo o executivo, a Alusa foi preparada para ingressar no cadastro de empresas da Petrobrás.

“Oildrive mantinha um contrato de prestação de serviços de consultoria com a Alusa, cujo valor variava de 1 % a 2% do montante do contrato firmado entre a empresa e a Petrobrás”, declarou. “Indagado se nesses contratos da Alusa o declarante atuou como operador financeiro para viabilizar o pagamento de propinas em favor de diretores ou gerentes da Petrobrás, afirma que não atuou como operador financeiro, mas sim como consultor comercial e de projetos, e que em relação a pagamentos de propinas afirma que não sabe esclarecer neste momento, mas que está buscando informações, inclusive com o seu sócio Julio Faerman, isto é, se no âmbito da Alusa houve algum pagamento indevido nesse sentido.”

A PF ainda questionou Luis Eduardo sobre a atuação da Oildrive em favor de empresas estrangeiras para viabilizar negócios junto à Petrobrás. “Afirma que a Oildrive atuou prestando serviços de consultoria em favor da Rolls-Royce para o fornecimento de turbinas, Vertech para serviços de manutenção de flare nas plataformas, Gall Espaço Thompson para o fornecimento de válvulas de retenção de mangueiras, Benthic para fornecimento de equipamentos de geotecnia, dentre outras; que em relação a tais contratos, afirma que não foram simulados, isto é, efetivamente houve a prestação de serviços de consultoria e representação das empresas”, relatou.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ANTÔNIO SÉRGIO MORAES PITOMBO, QUE DEFENDE LUIS EDUARDO BARBOSA

O criminalista Antônio Sérgio Moraes Pitombo, que defende Luís Eduardo Barbosa, não pôde se manifestar sobre a delação. ” Não posso falar nada sobre o acordo de colaboração porque ele está sob sigilo. Eu assinei o acordo, então, em hipótese alguma eu posso comentar qualquer detalhe.”

COM A PALAVRA, A ALUMINI (ANTIGA ALUSA ENGENHARIA)

Sobre a suposta delação do Sr. Luis Eduardo Campos Barbosa da Silva, cabe esclarecer que ele jamais foi “operador financeiro” da Alumini (antiga Alusa Engenharia), conforme o seu próprio depoimento destacado na reportagem. O Sr. Luis Eduardo atuou de forma absolutamente lícita e transparente como representante comercial da empresa e prestador de serviço de consultoria de projetos. A Alumini, mais uma vez, refuta completamente a afirmação de que tenha recebido qualquer tipo de informação privilegiada. Isso nunca aconteceu. O próprio ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, em seu depoimento à CGU e em sua delação premiada, reiterou que não houve informação privilegiada para a empresa. As informações às quais a reportagem se refere, sobre a estimativa de preço do contrato, eram de conhecimento público e de todos os participantes do certame.

 

 

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