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Repasse de US$ 4,5 mi para conta secreta foi acertado em escritório de operador de propina, afirma mulher de marqueteiro
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HUGO CHAVEZ

Repasse de US$ 4,5 mi para conta secreta foi acertado em escritório de operador de propina, afirma mulher de marqueteiro

Mônica Moura contou à Polícia Federal que pagamento feito por Zwi Skornicki, lobista de estaleiro contratado pela Petrobrás, foi por campanha presidencial em Angola, que custou US$ 50 milhões ao todo; US$ 20 milhões pagos por meio de 'contrato de gaveta', segundo ela

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Fausto Macedo e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba

25 Fevereiro 2016 | 18h46

trecho depoimento monica

A mulher e sócia de João Santana, o marqueteiro do PT, Mônica Moura, – ambos presos na Operação Acarajé, 23.ª fase da Lava Jato – declarou à Polícia Federal que o repasse de US$4,5 milhões feitos pelo operador de propinas do estaleiro Keppel Fes, Zwi Skornicki, foi acertado no escritório do lobista, no Brasil, por conta de valores a receber que o casal tinha da campanha eleitoral de José Eduardo Santos, para a presidência de Angola.

“(Zwi) foi indicado por uma mulher responsável pela área financeira da campanha presidencial de Angola”, afirmou Mônica Moura, ouvida na quarta-feira, 24, ao delegado Márcio Anselmo e ao procurador da República Digo Castor de Mattos.

João Santana, Mônica Moura e Zwi Skornicki estão presos em Curitiba, alvos da Lava Jato. O casal de marqueteiros que fez a campanha da presidente Dilma Rousseff (2010 e 2014) e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2006), é suspeito pelo recebimento de US$ 7,5 milhões de forma irregular de dois alvos do cartel envolvido em corrupção na Petrobrás. Parte – de US$ 4,5 milhões – foi paga pelo lobista do estaleiro Keppel Fels e parte – US$ 3 milhões – pela Odebrecht, apontam os investigadores.

Segundo Monica, o valor recebido de Zwi tem relação com a campanha presidencial de José Eduardo Santos para a presidência, que teve custo total de US$ 50 milhões – mesmo valor citado por João Santana, ouvido na manhã desta quinta-feira, 25, pela força-tarefa da Lava Jato.

Ela disse que esse contrato englobava ‘uma pré-campanha, a campanha e uma pós campanha que era uma consultoria para pronunciamentos’.

Trecho dos dados bancários da conta de passagem nos Estados Unidos da Shellbill Finance, que seria do marqueteiro do PT João Santana

Trecho dos dados bancários da conta de passagem nos Estados Unidos da Shellbill Finance, que seria do marqueteiro do PT João Santana/Clique para ampliar

Contrato de gaveta. Do valor global do contrato de Angola, US$ 30 milhões foram captados por meio de contrato com a empresa dela e do marido, a Polis Brasil. Os outros US$ 20 milhões, confessou, “foram pagos por meio de um contrato de gaveta, não contabilizado”.

Monica comprometeu-se a apresentar o contrato à PF.

Na ocasião, disse, procurou Zwi Skornicki em seu escritório no Brasil e acertaram um pagamento de US$ 4,5 milhões, depositados na conta da Shellbill Finance.

“Não sabe por qual motivo foi feito o pagamento, acreditando que tenha sido por interesse do empresário (Zwi Skornicki) em negócios naquele país (Angola)”, relatou.

Monica Moura confirmou o envio de uma carta a Zwi Skornicki, na qual passa orientações para a elaboração do contrato. Ela disse que ‘apagou os dados da Klienfeld para não expor tal empresa a Zwi Skornicki’. “Nunca se preocupou em saber qual a área de atuação de Zwi.”

bilhete

Cópia da carta apreendida com Zwi Skornicki, enviada por Monica Moura, que levou a Lava Jato a investigar recebimentos de João Santana/ Clique para ampliar

Campanhas no Brasil. A mulher do marqueteiro do PT negou que pagamentos por ele realizados tenham qualquer relação com campanhas eleitorais no Brasil.

Afirmou que ela e o marido “só atuam no marketing eleitoral e que os principais clientes, no Brasil, são o PT, o PDT e o PMDB”.

Monica Moura disse, ainda, que ‘deixou de declarar suas contas no exterior pois aguardava a promulgação de eventual lei de repatriação de valores, o que retiraria o caráter ilícito da manutenção da conta na Suíça em nome da Shellbil Finance.’

“Em todas as suas campanhas, não fosse por imposição dos contratantes. preferia que fosse tudo contabilizado.”

DEPOIMENTO MONICA SANTANA 1

DEPOIMENTO MONINCA SANTANA 2

DEPOIMENTO MONICA 3

DEPOIMENTO MONICA 4

 

COM A PALAVRA, A ODEBRECHT:

“A Construtora Norberto Odebrecht desconhece as tratativas mencionadas por Monica Moura em seu depoimento.”

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