Reitero cada uma das palavras, diz deputada sobre elogio a marido preso pela PF

Reitero cada uma das palavras, diz deputada sobre elogio a marido preso pela PF

Prefeito de Montes Claros (MG) foi preso pela Polícia Federal um dia depois de ser elogiado pela mulher Raquel Muniz (PSD) durante votação do impeachment na Câmara; a parlamentar disse que o 'Brasil tinha jeito' ao votar pelo afastamento de Dilma

Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

20 Abril 2016 | 08h26

Ruy Muniz. Foto: Divulgação

Ruy Muniz. Foto: Divulgação

A deputada federal Raquel Muniz (PSD-MG) se manifestou em uma rede social, nesta terça-feira, 19, sobre a prisão do marido, o prefeito de Montes Claros Ruy Adriano Borges Muniz. O chefe do Executivo do município mineiro  e a secretária de saúde do município Ana Paula Nascimento foram presos pela Polícia Federal na manhã de segunda-feira, 18, pela operação Máscara da Sanidade II – Sabotadores da Saúde, que investiga fraudes para favorecer hospitais privados ligados ao prefeito da cidade.

A prisão ocorreu um dia após o político ser elogiado por sua mulher, a deputada ao proferir seu voto pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. No domingo, 17, Raquel Muniz elogiou a conduta do marido e disse que ‘o Brasil tinha jeito’ ao votar pelo afastamento da petista.

Nesta terça, a deputada confessou que ficou ‘atordoada e muito chateada com o que aconteceu’. Raquel Muniz disse que precisou de um dia ‘para tomar ciência do que se passava, respirar fundo e não desistir’.


 

“Eu e Ruy sempre soubemos o que poderia acontecer com a gente quando entrássemos para a política, mas jamais que chegaria a esse ponto. No entanto, não vamos nos intimidar em busca de um Brasil, de uma Minas e de um Montes Claros cada dia melhor”, declarou. “Por isso, reitero cada uma das palavras ditas no dia 17 de abril durante a votação para aceitar o processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff. Montes Claros tem um gestor íntegro, ético e que preza pela transparência das suas ações.”

Segundo as investigações, o grupo do prefeito teria atuado para inviabilizar os  hospitais públicos da cidade. Somente em outubro de 2015, segundo a PF, o grupo de Muniz retirou cerca de 26 mil consultas especializadas e 11 mil exames dos hospitais públicos municipais.

Em contrapartida, o hospital privado gerido pela família da deputada que diz querer “melhorar” o País, teria sido beneficiado com os procedimentos que foram retirados dos hospitais municipais. Além disso, segundo a PF, desde julho de 2015 até agora, Ruy Muniz se aproveitou do cargo e utilizou verba pública para promover nos principais veículos de comunicação regionais “uma ampla e intensa campanha difamatória contra os hospitais público e filantrópico ‘concorrentes’, inclusive lançando mão de dados e informações falsas”, diz a nota da Polícia Federal.

Para a deputada, ‘não há razão jurídica para a prisão preventiva’ do marido, pois não há ‘risco a ordem pública, nem perigo de fuga e nem haver qualquer indício de obstrução da justiça’.

“Há, sim, razões de outras ordens, não republicanas, que justificam essa investigação. O meu marido, ao contrário do que está sendo amplamente noticiado, não teve a prisão decretada por motivos de corrupção e quem teve o senso ético de buscar a verdadeira motivação na decisão judicial pode verificar isto. Todas as providências jurídicas cabíveis já foram tomadas e tenho a plena certeza de que a verdade prevalecerá”, afirmou.

A ÍNTEGRA DA NOTA DIVULGADA PELA DEPUTADA RAQUEL MUNIZ

ESTOU DE VOLTA!

Meus amigos e minhas, confesso que fiquei atordoada e muito chateada com tudo o que aconteceu. Precisei de um dia para tomar ciência do que se passava, respirar fundo e não desistir. Eu e Ruy sempre soubemos o que poderia acontecer com a gente quando entrássemos para a política, mas jamais que chegaria a esse ponto.

No entanto, não vamos nos intimidar em busca de um Brasil, de uma Minas e de um Montes Claros cada dia melhor. Por isso, reitero cada uma das palavras ditas no dia 17 de abril durante a votação para aceitar o processo de impedimento da presidente Dilma Rousseff. Montes Claros tem um gestor íntegro, ético e que preza pela transparência das suas ações.

Não há razão jurídica para a prisão preventiva do meu marido, o prefeito de Montes Claros, Ruy Muniz, por não haver risco a ordem pública, nem perigo de fuga e nem haver qualquer indício de obstrução da justiça. Há, sim, razões de outras ordens, não republicanas, que justificam essa investigação.

O meu marido, ao contrário do que está sendo amplamente noticiado, não teve a prisão decretada por motivos de corrupção e quem teve o senso ético de buscar a verdadeira motivação na decisão judicial pode verificar isto.

Todas as providências jurídicas cabíveis já foram tomadas e tenho a plena certeza de que a verdade prevalecerá.

Acredito que o meu voto na noite do dia 17 de abril foi um voto consciente e mais: foi um voto responsável pois vai ajudar na reconstrução do Brasil e devolver o nosso país aos trilhos do desenvolvimento.

Somos pessoas de bem e estamos à disposição da justiça e da sociedade para qualquer esclarecimento. Sou mulher de fé e permaneço acreditando na Justiça.