Raupp traiu seu mandato, diz Raquel

Raupp traiu seu mandato, diz Raquel

Procuradora-geral da República pediu condenação do senador emedebista por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Lava Jato

Luiz Vassallo

15 Abril 2018 | 08h23

Reprodução das alegações finais de Raquel

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, reforçou, em alegações finais ao Supremo Tribunal Federal, pedido pela condenação do senador Valdir Raupp (MDB) por lavagem de dinheiro e corrupção passiva no âmbito da Operação Lava Jato. Dele, o Ministério Público Federal cobra R$ 1 milhão como indenização a título de danos materiais e morais.

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“Portanto, a um só tempo ele traiu seu mandato e descumpriu a função constitucional de mais alta relevância dele esperada: zelar pela moralidade administrativa, zelar pela patrimônio público, inclusive o da PETROBRÁS, uma sociedade de economia mista integrante da administração indireta”, afirmou a procuradora-geral.

O senador é acusado de ter recebido R$ 500 mil da empreiteira Queiroz Galvão para a sua campanha ao Senado em 2010 por meio do esquema de corrupção na Petrobrás.

A ação, que foi oferecida pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot, aponta que as doações eleitorais, registradas oficialmente perante o TSE, foram uma forma de ‘compensar’ o apoio do peemedebista à permanência do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa no cargo.

A acusação envolve uma das principais teses da Lava Jato, a de que doações oficiais eram usadas para lavar dinheiro de propina. Por decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, ele foi para o banco dos réus em março de 2017.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ANTONIO CARLOS DE ALMEIDA CASTRO, KAKAY, QUE DEFENDE RAUPP

“Não li a as alegações finais, mas evidentemente o esperado é que fossem fazer o pedido de condenação. É mais ou menos esperado. A instrução foi feita de forma muito favorável, mas, mesmo favorável, infelizmente, a gente não vê o MPF pedir a absolvição. Temos tranquilidade. Vamos fazer as alegações finais e vamos levar a julgamento. Eu acho que o julgamento do caso do Romero Jucá onde eu sou advogado junto com o Gerdau foi um julgamento importante onde o STF não recebeu a denúncia indicando que existia ali uma tentativa de criminalização da política. Eu espero que essa seja uma tendência dos tribunais naqueles casos onde não houver indícios suficientes e sequer seja recebida a denúncia”.