Raquel pede que Saud seja ouvido em inquérito que investiga Kassab

Raquel pede que Saud seja ouvido em inquérito que investiga Kassab

Em requerimento ao Supremo, procuradora-geral determina ainda algumas diligências, como a entrega de documentos, juntadas de depoimentos e que o ex-executivo da J&F seja ouvido para prestar esclarecimentos

Teo Cury/BRASÍLIA

20 Abril 2018 | 21h58

FOTO DIDA SAMPAIO/ESTADAO

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), prorrogação por 60 dias do prazo para que a Polícia Federal conclua as investigações do inquérito que tem como alvo o ministro de Ciência, Tecnologia e Comunicação, Gilberto Kassab (PSD). Em seu pedido, a Raquel determina ainda algumas diligências, como a entrega de documentos, juntadas de depoimentos e que o ex-executivo da J&F Ricardo Saud seja ouvido para prestar esclarecimentos.

Estado antecipou em 11 de abril que, em depoimento prestado à Polícia Federal (PF), o empresário Wesley Batista se comprometeu a entregar para a corporação os contratos e respectivas notas fiscais envolvendo supostos pagamentos de propina – em torno de R$ 350 mil – entre a JBS e o ministro, que teriam sido realizados de 2010 a 2016, por meio de sua empresa Yape Consultoria e Debates, supostamente sem nenhuma contrapartida.

No início de fevereiro, o ministro Alexandre de Moraes atendeu a um pedido da PGR e instaurou o inquérito contra o ministro.  Saud afirmou que nas eleições de 2014 o Partido dos Trabalhadores (PT) teria comprado o apoio político de Kassab e do Partido Social Democrático (PSD), indicando o grupo para realizar os pagamentos. Os repasses teriam ocorrido por meio de doações oficiais, com notas fiscais avulsas, além do pagamento de R$ 5,5 milhões em 22 parcelas de R$ 250 mil, mediante notas fiscais frias à Yape, diz a PGR.

“Vale observar que Wesley Batista menciona possuir os documentos referentes à contratação da empresa Yape Consultoria e Debates LTDA. e respectivos pagamentos”, destacou Raquel.

Quando ofereceu a denúncia, a PGR ainda pediu para que Wesley e Saud prestassem esclarecimentos, para o detalhamento dos fatos narrados “e para que sejam instados a apresentar toda a documentação comprobatória de suas alegações ou indicar os meios de corroboração de suas assertivas”.

Em nota, a assessoria do ministro informou que os serviços foram efetivamente prestados e “são facilmente comprováveis, numa relação comercial mantida dentro da estrita legalidade”. “Não houve nenhuma reciprocidade por esses contratos, e nunca houve nenhum pedido de favor ao ministro. O ministro entende que, na vida pública, as pessoas estão corretamente sujeitas à especial atenção do Judiciário e ressalta sua tranquilidade e confiança na Justiça”, afirmou Kassab na nota.