Raquel alerta para ‘risco de prescrição’ e pede ao STF prioridade no julgamento de Nelson Meurer

Raquel alerta para ‘risco de prescrição’ e pede ao STF prioridade no julgamento de Nelson Meurer

Deputado do PP do Paraná é réu da Operação Lava Jato por supostamente ter recebido com seu partido um total de R$ 357 milhões, entre 2006 e 2014

Teo Cury e Amanda Pupo/BRASÍLIA

11 Abril 2018 | 12h42

Nelson Meurer. Foto: Viola Junior / Câmara dos Deputados.

Em manifestação enviada nesta terça-feira, 10, ao Supremo Tribunal Federal (STF), a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, pede à Corte prioridade no julgamento da ação penal contra o deputado federal Nelson Meurer (PP-PR) no âmbito da Operação Lava Jato.

Segundo a acusação, o parlamentar recebeu, entre 2006 e 2014, R$ 357 milhões repassados pelo ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, por meio do doleiro Alberto Yousseff. Segundo a PGR, Meurer praticou corrupção por bancar o ex-diretor na Petrobrás e permitir os esquemas de corrupção em benefício do PP. Com ajuda de seus filhos, Nelson Meurer Júnior e Cristiano Augusto Meurer, ele teria recebido parte das vantagens indevidas.

No documento enviado ao ministro decano Celso de Mello, revisor do caso, que tem como relator Edson Fachin, Raquel alega ‘risco de ocorrência de prescrição retroativa’, caso Meurer seja condenado à pena mínima de dois anos de reclusão no que tange ao crime de corrupção passiva.

“Saliente-se que, tratando-se de réu que possui mais de 70 anos, na hipótese de sua condenação e de imposição da referida pena, o termo final da prescrição retroativa, quanto ao citado delito, será o dia 21 de junho de 2018, ou seja, dois anos da data do recebimento da denúncia.”

A reportagem entrou em contato com o gabinete do deputado Nelson Meurer, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria.

Denúncia. Segundo a denúncia, a nomeação de Paulo Roberto Costa para a Diretoria de Abastecimento da Petrobras decorreu de indicação política do PP, articulada pelo então deputado Federal José Janene, com o auxílio dos também deputados Federais na época: Pedro Correa e Pedro Henry, que comandavam o partido, já com a participação do deputado Nelson Meurer.

Entre 2006 e 2014, Meurer e o partido teriam recebido mais de R$ 357 milhões em propina.
Na denúncia, a PGR explica que os valores ilícitos eram uma contrapartida pela viabilização do funcionamento de cartel de empreiteiras interessadas em celebrar irregularmente contratos no âmbito da Diretoria de Abastecimento da Petrobrás e em obter benefícios indevidos de Paulo Roberto Costa. A peça destaca, ainda, que Nelson Meurer recebeu propina de várias formas: periódica, ordinária, episódica e extraordinária.

COM A PALAVRA, NELSON MEURER

“Eu estou tranquilo, porque não cometi nenhum ato ilícito.”
“Não conheço nenhum empreiteiro, nunca pedi ajuda financeira para empreiteiro nenhum.”
“Sempre, nos meus seis mandatos como deputado federal, pedi ajuda financeira para o meu partido. Foi o meu partido que viabilizou recursos, então tenho que confiar no meu partido.”
“Se os recursos que passaram para mim foram de vias legais ou não quem tem que responder é o meu partido.”