Juiz vê origem ilícita nos R$ 51 milhões em ‘bunker’

Juiz vê origem ilícita nos R$ 51 milhões em ‘bunker’

No pedido de prisão de Geddel, Vallisney de Souza Oliveira diz que dinheiro 'certamente tem origem ilícita decorrente das atividades criminosas' do ex-ministro

Fernando Nakagawa, de Brasília

09 Setembro 2017 | 05h00

Geddel Vieira Lima deixa o IML em Brasília nesta sexta-feira, 8. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

No pedido de prisão preventiva do ex-ministro Geddel Vieira Lima, o juiz da 10.ª Vara Federal do Distrito Federal, Vallisney de Souza Oliveira, indica que os R$ 51 milhões aprendidos em um apartamento em Salvador podem ter relação com empréstimos concedidos pela Caixa Econômica Federal no período em que o peemedebista ocupou a Vice-Presidência de Pessoa Jurídica da instituição. Para o juiz, o dinheiro “certamente tem origem ilícita decorrente das atividades criminosas” do ex-ministro.

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A suspeita levantada no início do ano pela Polícia Federal, quando foi deflagrada a Operação Cui Bono?, e reforçada nos últimos dias, é de que Geddel recebeu o dinheiro guardado no apartamento por facilitar a concessão de crédito para grandes empresas. Para o juiz, há indícios do crime de lavagem de dinheiro atrelado a esses empréstimos da Caixa.

Foto: PF

Geddel foi nomeado vice-presidente da Caixa em 7 de abril de 2011, pela então presidente Dilma Rousseff, e exonerado em dezembro de 2013. A indicação foi do então vice-presidente, Michel Temer, de quem é amigo. Após o impeachment, Geddel trabalhou ao lado de Temer na Secretaria de Governo.

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No pedido de prisão do político baiano, o juiz afirmou que há investigação em curso sobre a atuação de Geddel em operações de crédito a empresas, como para várias subsidiárias do grupo J&F, dono da JBS; do Grupo Constantino, que controla a Gol; da Comporte Participações; e da Oeste Sul Empreendimentos Imobiliários.

A reportagem tentou contato com o Grupo Constantino, Comporte Participações e Oeste Sul Empreendimentos, mas não obteve resposta. O espaço está aberto para manifestações.

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COM A PALAVRA, A CAIXA

A Caixa informou que não se pronunciará sobre o assunto à imprensa, mas afirmou que presta “colaboração irrestrita” às autoridades sobre o caso.

COM A PALAVRA, A J&F

A J&F negou irregularidades e informou que não pode fornecer detalhes porque documentos e depoimentos estão sob sigilo.

COM A PALAVRA, GEDDEL

A defesa de Geddel disse que só se manifestará quando tiver acesso aos autos.