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Topógrafo diz que ‘compadre de Lula’ indicou serviços em sítio de Atibaia

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Topógrafo diz que ‘compadre de Lula’ indicou serviços em sítio de Atibaia

Cláudio Benatti, agrimensor contratado para medições em propriedade frequentada por ex-presidente, relata que advogado Roberto Teixeira 'arrumou para eu fazer o serviço lá'; Lava Jato investiga se empreiteira OAS fez reforma a pedido de petista

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Ricardo Brandt, Fausto Macedo, Andreza Matais e Fábio Fabrini, de Brasília

14 Janeiro 2016 | 14h34

O ex-presidente Lula, que mantinha relações diretas com o presidente da OAS Léo Pinheiro. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO

O ex-presidente Lula, que mantinha relações diretas com o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro. FOTO: Dida Sampaio/Estadão

O agrimensor Claudio Benatti, identificado pela Polícia Federal como responsável pelas medições e plantas do Sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP) – frequentado pelo ex-presidente Lula – afirmou ao Estado que o advogado Roberto Teixeira, compadre do petista, era o responsável por determinar os serviços a serem prestados na propriedade, no ano de 2011. A Operação Lava Jato investiga se uma reforma feita no local, no mesmo ano, foi executada pela OAS – uma das líderes do cartel que fatiava obras na Petrobrás – a pedido do ex-presidente, como compensação por contratos da empreiteira no governo.

“Quem indicou tudo, quem arrumou para eu fazer o serviço lá foi o Roberto Teixeira. Que é o advogado, que é o compadre do Lula”, afirmou Benatti. “Eu fui lá fazer um serviço. Eu fiz a topografia do sítio, fiz o levantamento.”

O advogado amigo do ex-presidente não aparece nos registros de propriedade do sítio. Oficialmente, o imóvel está em nome de dois empresários ligados à família de Lula. Ambos compraram a propriedade – que têm duas matrículas no Cartório de Registro de Imóveis de Atibaia – em 29 de outubro.

A PF determinou nesta terça-feira, 12, que Benatti seja ouvido no inquérito da OAS. Ele foi identificado pela Lava Jato após o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) de São Paulo localizar registro de seus serviços no sítio Santa Bárbara, em 2011. O órgão localizou a Anotação de Registro Técnico (ART) do levantamento planialtimétrico, assinado por Benatti, após ser intimado a buscar dados sobre obras no local.

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Pelo documento, os serviços do agrimensor foram contratados em 18 de dezembro de 2010, com início de vigência dos serviços em 20 de janeiro de 2011 – logo após a compra do imóvel. “Todos os serviços que foram executados, meus, de topografia, sempre foram o Roberto Teixeira. ‘Ó fulano está precisando que você faça isso’. Teve até um serviço envolvendo a (Polícia) Florestal, que cortaram uma árvore que não era para cortar, fui eu que fiz. Mas todo serviço foi sempre o Roberto que pediu.”

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Benatti mora em Monte Alegre do Sul, no interior de São Paulo. É de lá que ele diz conhecer o compadre de Lula. “Roberto Teixeira eu conheço ele desde 1972. Ele tem sítio aqui em Monte Alegre. Foi aqui que o Lula vinha tomar as pingas dele, em Monte Alegre.”

O topógrafo afirma que guarda os mapas do serviço prestado. “Eu faço serviço para o Roberto Teixeira há uns 40 anos. É conheci ele de muito tempo, acho que bem antes dele conhecer o Lula.”

Compra sob suspeita. A Lava Jato passou a investigar a obra no sítio Santa Bárbara, após a informação de que a propriedade teria passado por grande reforma, em 2011, executada supostamente pela OAS. Os serviços atenderiam pedido de Lula ao ex-presidente da empreiteira José Aldemário Pinheiro – preso em novembro de 2014 e solto em abril de 2015 -,  segundo reportagem da Revista Veja, em abril de 2015.

Na cópia da ART enviada pelo CREA para a Lava Jato, com data de 4 de janeiro, o contratante dos serviços é o empresário Jonas Leite Suassuna Filho – dono do Grupo Gol de editoras e ligado a um dos filhos do ex-presidente Lula.

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Levantamento feito pelo Estado no Cartório de Registro de Imóveis, em Atibaia, mostra que Suassuna é o dono oficial de uma parte do sítio. A propriedade, no bairro Portão, pertencia ao casal Adalton Santarelli e Neusa Santarelli. No dia 29 de outubro de 2010, eles venderam a maior fração do imóvel para Suassuna – pelo valor declarado de R$ 1 milhão. Outra parte, de menor tamanho, foi vendida para Fernando Bittar – por R$ 500 mil. Bittar é filho do ex-prefeito de Campinas Jacó Bittar (PT), amigo de Lula desde o período de movimento sindical. A família Bittar também tem relações de negócios com os filhos do ex-presidente.

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Na entrevista ao Estado, o agrimensor diz que não chegou a conhecer pessoalmente Suassuna, mas apontou seu nome como um dos proprietários. “Não conheci (Suassuna). Eu fui no escritório desse proprietário, que eu acho que é o Suassuna, ali em uma travessa da Paulista.”

Os empresários Jonas Suassuna e Fernando Bittar não foram localizados.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ROBERTO TEIXEIRA

Procurado, o advogado Roberto Teixeira, por meio de sua assessoria de imprensa, não se manifestou sobre o assunto.

COM A PALAVRA, OAS

Procurada, a empreiteira OAS informou, por meio de assessoria de imprensa, que “não tem nada a declarar sobre esses temas”.

COM A PALAVRA, O EX-PRESIDENTE LULA

Procurado via assessoria de imprensa do Instituto Lula, o ex-presidente Lula não comentou o caso.

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