‘Quantas condenações e prisões vão precisar para que os políticos do Brasil entendam que corrupção é crime?’

‘Quantas condenações e prisões vão precisar para que os políticos do Brasil entendam que corrupção é crime?’

Desembargador do TRF3, Fausto Martin de Sanctis em simpósio contra fraudes contra o Tesouro criticou 'volúpia' de parlamentares

Julia Affonso

10 Novembro 2017 | 05h15

Fausto de Sanctis. Foto: JB Neto/AE

O desembargador do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF3), Fausto Martin de Sanctis, criticou a ‘ousadia e volúpia dos nossos políticos em abocanhar o espaço público em seu próprio benefício’. De Sanctis participou do I Simpósio de Combate à Corrupção, em São Paulo, realizado pela Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF).

“Ouvi há pouco a questão da não punição da política. É claro, a questão não é se está punindo a política. A questão é o seguinte: quantas condenações e talvez prisões vão precisar para os políticos do Brasil entendam que corrupção é crime?”

De Sanctis assinalou que ‘quem disse que corrupção é crime foram os próprios políticos’. “O próprio Congresso Nacional estabeleceu isso como um crime”, declarou.

O magistrado está desde 2010 no TRF3.

De Sanctis já foi juiz federal na 6.ª Vara Criminal Federal, em São Paulo. Em 2008 e 2009, o magistrado foi responsável por autorizar a deflagração de operações Satiagraha e Castelo de Areia, respectivamente. Ele é um especialista em ações de combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro.

“Quantos mais fatos desses tristes, que ninguém como pessoa brasileira, nacional, acha bonito, tem orgulho de ver o tamanho e a grandiosidade da ousadia e volúpia dos nossos políticos em abocanhar o espaço público em seu próprio benefício, quantas condenações nós vamos precisar?”, questionou o magistrado.

Fausto De Sanctis falou por 40 minutos na palestra ‘Organizações criminosas e mecanismos transnacionais de combate à lavagem de dinheiro. Uma perspectiva judicial do caso Panamá Papers’.