Quadrilha usou nome de vítima de acidente aéreo para fraudar compras na internet

Quadrilha usou nome de vítima de acidente aéreo para fraudar compras na internet

Operação Código Reverso, deflagrada nesta quarta-feira, 21, identificou que um operador do esquema usou documentos falsos de um homem morto em 1996 para adquirir televisores no montante de R$ 19.751,75

Julia Affonso e Fausto Macedo

21 Março 2018 | 10h30

Foto: Estadão

O esquema alvo da Operação Código Reverso, deflagrada nesta quarta-feira, 21, usou o nome de uma vítima de um acidente aéreo para fraudar compras na internet. Os investigadores identificaram que um operador do esquema usou o documento falso de um homem que morreu no desastre do voo 402, da TAM, em 31 de outubro de 1996, em São Paulo.

Documento

As informações constam da decisão do juiz federal João Paulo Abe, 4.ª Vara Federal de Palmas (TO), que abriu a operação. O magistrado mandou prender preventivamente o falsificador e outros seis investigados.

A Código Reverso identificou que o esquema usava ‘programas maliciosos’ para acessar computadores remotamente. O grupo fazia transações bancárias eletrônicas fraudulentas como pagamentos, transferências e compras pela internet, burlando os mecanismos de segurança dos bancos, e gerando prejuízos da ordem de R$ 10 milhões só nos últimos 9 meses.

O falsificador comprou R$ 19.751,75 em televisões na Magazine Luiza, com dois boletos bancários – um de R$ 7.351,94 e outro de R$ 12.399,81 – em nome da vítima do acidente da TAM. A loja informou aos investigadores que o falsificador pagou os televisores com recursos de contas bancárias de terceiros em 30 e também em 31 de outubro do ano passado.

A operação apurou que o falsificador também usou o nome da vítima do acidente aéreo para equipamentos eletrônicos na empresa B2W, controladora das Lojas Americanas, do Shoptime e do Submarino.

OPERAÇÃO. Segundo a PF, mais de 100 policiais federais foram às ruas cumprir 43 mandados judiciais expedidos pela 4ª Vara da Justiça Federal em Palmas: sete de prisão preventiva, um de prisão temporária, 11 de intimação e 24 de busca e apreensão.

A investigação, realizada pelo Grupo de Repressão a Crimes Cibernéticos, chegou a um grupo de hackers com conexões internacionais, inclusive criminosos cibernéticos do leste europeu.

“Os membros dessa organização apresentam alto padrão de vida e se utilizam, inclusive, de diversas empresas de fachada para movimentar e ocultar os valores obtidos por meio das atividades criminosas, investindo grande parte das vantagens ilícitas em moedas virtuais como a bitcoin, realizando lavagem de dinheiro”, informou a Federal.

A Justiça determinou a indisponibilidade de bens móveis e imóveis e o bloqueio das contas bancárias dos investigados, inclusive de moedas virtuais (BITCOIN).

Além dos presos, também estão sendo intimadas a prestar esclarecimentos diversas pessoas com participação nas fraudes, inclusive empresários que procuravam os criminosos com a finalidade de obter vantagem competitiva no mercado e prejudicar a livre concorrência, e receber descontos de cerca de 50 % para quitar os seus impostos, pagar contas e realizar compras, através de pagamentos feitos pelos criminosos em prejuízo à milhares de contas bancárias de diversas instituições bancárias.

A operação, que representa o primeiro passo da operacionalização da renovação do Acordo de Cooperação Técnica entre a Polícia Federal e Febraban na repressão das fraudes bancárias eletrônicas, é também resultado do trabalho em conjunto com as equipes de prevenção às fraudes dos bancos Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander.

Os criminosos devem responder pelos crimes de associação criminosa, falsificação de documento público e de uso de documento falso; furto qualificado, além do crime de lavagem de capitais. Somadas as penas podem chegar a mais de 30 anos de prisão.

O nome da operação faz referência ao caminho inverso utilizado pela investigação para realizar o mapeamento da fraude.

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