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Publicitária diz à PF que é a dona de tríplex no Guarujá alvo da Lava Jato

Publicitária diz à PF que é a dona de tríplex no Guarujá alvo da Lava Jato

Nelci Warken, apontada pela Operação Triplo X como 'testa-de-ferro' na propriedade de um imóvel, vizinho ao triplex 164 A que seria da família do ex-presidente Lula, afirma que bem foi comprado com recursos próprios

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Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Julia Affonso e Fausto Macedo

29 Janeiro 2016 | 14h19

Nelci Warker. Foto: Douglas Pingituro/ Brazil Photo Press

Nelci Warken. Foto: Douglas Pingituro/ Brazil Photo Press

A publicitária Nelci Warken, presa na 22ª fase da Operação Lava Jato, batizada de Triplox X, confirmou nesta sexta-feira, 29, para a Polícia Federal ser a controladora da offshore Murray Holdings, dona de um tríplex no Edifício Solaris, no Guarujá, onde a família do ex-presidente Lula seria dono de outro tríplex.

Presa desde quarta-feira, 27, alvo da Triplo X, Nelci Warken, de 63 anos, é considerada pela Lava Jato “testa-de-ferro de um suposto esquema de ocultação patrimonial e lavagem do dinheiro desviado da corrupção na Petrobrás, que teria envolvido a empreiteira OAS, a Cooperativa Habitacional do Sindicato dos Bancários (Bancoop) e o PT”.

“Nelci não é laranja. O apartamento foi comprado com dinheiro do trabalho dela”, afirmou o criminalista Alexandre Crepaldi, defensor de Nelci que acompanhou seu depoimento na manhã desta sexta-feira, 29, na sede da PF em Curitiba.

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Nelci é ex-funcionária da área de marketing da Bancoop e dona de uma empresa de panfletagem, a Paulista Plus. Desde 2009, o apartamento 163-B, que Nelci admitiu ser de sua propriedade, pertence à Murray Holdings LLC, aberta em Las Vegas, Estado de Nevada, nos Estados Unidos, em nome de Eliana Pinheiro de Freitas. Para os procuradores, Eliana é uma “laranja” de Nelci Warken.

Eliana Pinheiro de Freitas – também ligada a Bancoop e madrinha de uma de suas filhas de Nelci – foi ouvida na quarta-feira, alvo de condução coercitiva pela PF. Segundo a defesa de Nelci, não ilegalidade no registro de um imóvel em nome da offshore.

trecho lavagem oas bancoop pt

Para os investigadores, as duas fazem parte do núcleo de “testas-de-ferro” do esquema. Pelo menos 13 outros imóveis estão registrados em nome da Murray.

“A formal propriedade do tríplex 163-B do Condomínio Solaris por parte da offshore Murray Holdings LLC, registrada em Nevada/EUA levantou suspeitas pela evidente disparidade de um imóvel de tais padrões frente à pessoa que se apresentou perante as autoridades fazendárias brasileiras como representante da dita offshore, qual seja, Eliana Pinheiro de Freitas, pessoa de condições simples, porém, representante de offshore que adquiriu uma série de imóveis desde 2009”, informa documento da PF.

A PF deve ouvir nesta sexta-feira Ademir Auada, que atuou para a abertura da Murray Holdings. Ele fez o exame de corpo de delito pela manhã, após ser preso ontem, ao chegar do Panamá. Está marcado para hoje ainda o interrogatório de Ricardo Honório Neto, do escritório no Brasil da Mossack e Fonseca CO. Renata Pereira Britto, funcionária de Mossack, foi ouvida ontem.

Foragidos. Dos seis mandados de prisão temporária decretados pelo juiz federal Sérgio Moro, dois continuam em aberto. Maria Mercedes Riano Quijano e Luiz Fernando Hernandez Rivero, funcionários da empresa Mossack Fonseca & CO, que fornecia offshores para investigados, são considerados foragidos pela PF.

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