Promotoria pede soltura de grávida de 9 meses presa por furtar comida

Promotoria pede soltura de grávida de 9 meses presa por furtar comida

Em audiência de custódia, Ministério Público já havia requerido a soltura de Cristiane Ferreira Pinto; juiz, no entanto, decretou preventiva por ver 'evidente risco à ordem pública' na gestante

Luiz Vassallo

20 Fevereiro 2018 | 19h48

A promotora Maria Júlia Kaial Cury entrou, nesta terça-feira, 20, com recurso pela soltura de Cristiane Ferreira Pinto, grávida de 9 meses e mãe de dois filhos – um de sete e outro de um ano -, que está presa preventivamente por furto de comida. Na audiência de custódia, o Ministério Público já havia pedido para que o juiz responsável não decretasse a prisão preventiva dela. Após o Estado publicar reportagem sobre o caso, a Promotoria voltou a requerer que ela responda por processo em liberdade.

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Cristiane está no presídio de Franco da Rocha, no interior de São Paulo, desde o dia 28 de fevereiro. Ela foi flagrada deixando um supermercado com peças de carne e queijo. Em audiência de custódia, justificou que estava cometendo o crime para alimentar seus filhos.

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O juiz Wellington Marinho Urbano, responsável pela audiência, afirmou ver na gestante e em outro detido ‘evidente risco à ordem pública’ e disse que gravidez ‘não gerou preocupação ou cuidado de não se expor’ ao crime. Ele decretou a prisão preventiva de ambos e liberou outra detida que não tinha antecedentes criminais. Cristiane é reincidente em furto.

O caso está agora nas mãos do magistrado Gabriel Sormani, da comarca de Taboão da Serra.

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“Em que pese tratar-se de acusada que reitera na pratica de crime contra o patrimônio, observo que Cristiane Ferreira Pinto faz jus ao direito de responder a este processo em liberdade”, afirma a promotora Maria Júlia Kaial Cury, em recurso.

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A promotora afirma reiterar ‘a manifestação do Ministério Publico em sede de audiência de custodia’, e pede ‘imediata concessão da liberdade provisória à acusada, sem recolhimento de fiança’.