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EDSON APARECIDO

Promotoria investiga chefe da Casa Civil de Alckmin por suspeita de enriquecimento ilícito

Inquérito também vai apurar se houve improbidade administrativa; Edson Aparecido comprou imóvel de empreiteiro por 30% do valor de mercado

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Julia Affonso

02 Março 2016 | 13h33

Geraldo Alckmin (à esquerda) e Edson Aparecido. Foto: Filipe Araujo/Estadão

Geraldo Alckmin (à esquerda) e Edson Aparecido. Foto: Filipe Araujo/Estadão

Atualizada às 15h49

O Ministério Público de São Paulo instaurou inquérito civil para investigar o secretário Edson Aparecido, da Casa Civil do governo Geraldo Alckmin (PSDB), por supostos enriquecimento ilícito e improbidade administrativa.

Aparecido é homem de confiança de Alckmin há muitos anos.

Em janeiro, a Operação Alba Branca apontou envolvimento do então chefe de gabinete de Edson Aparecido – Luiz Roberto dos Santos, o ‘Moita’ – com uma organização criminosa que fraudava licitações da merenda escolar em pelo menos 22 prefeituras e que mirava em contratos da Secretaria da Educação de Alckmin.

A apuração foi instaurada no dia 29 de fevereiro após reportagem do portal UOL revelar que o secretário comprou um imóvel do empreiteiro Luiz Alberto Kamilos, dono da Construtora Kamilos, por 30% do valor. A empresa é ‘contratada pelo Estado de São Paulo para a execução de vultuosas obras públicas’.

Na portaria de instauração do inquérito, o promotor Marcelo Milani destaca que o apartamento 16 do edifício “Maison Charlotte”, no bairro de Indianópolis, foi adquirido ‘por valor muito inferior ao de mercado, gerando suspeitas sobre possível incompatibilidade de sua remuneração pública com a sua respectiva evolução patrimonial’.

“Havendo notícia de possível atentado aos princípios da Administração Pública e de possível enriquecimento indevido, a configurar, em tese, a prática de atos de improbidade administrativa, sendo necessária a coleta de outras informações para orientar a eventual tomada de providências legais e pertinentes, resolve o 8º Promotor de Justiça do Patrimônio Público e Social da Capital instaurar o inquérito civil”, afirma o documento.

COM A PALAVRA, O SECRETÁRIO EDSON APARECIDO

Prestarei todos os esclarecimentos necessários ao Ministério Público e ao promotor Marcelo Milani. O caso refere-se a um imóvel comprado há mais de 10 anos – quando eu não integrava o governo – de maneira absolutamente lícita e transparente, por meio da imobiliária Coelho da Fonseca, que foi paga pela prestação de serviço e emitiu todos os recibos e documentos referentes à operação. Quando esses fatos se deram, eu estava fora do governo. Tudo foi devidamente registrado nos órgãos competentes e declarado à Receita Federal e aos respectivos Tribunais Eleitorais. Não há nenhuma ilegalidade ou qualquer ocultação de patrimônio. Estou à disposição para prestar todos os esclarecimentos e comprovar a lisura do fato

Edson Aparecido

COM A PALAVRA, A CONSTRUTORA KAMILOS

-O imóvel em questão foi comercializado por intermédio da imobiliária Coelho da Fonseca;

-Não conhece pessoalmente e nunca teve qualquer contato com o Sr. Edson Aparecido;

-A venda do imóvel foi feita pelo preço de mercado à época;

-O apartamento era de propriedade da pessoa física, não tendo qualquer vínculo com a Construtora.

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