Promotoria e polícia procuram ex-prefeito alagoano por desvios de R$ 12 mi

Promotoria e polícia procuram ex-prefeito alagoano por desvios de R$ 12 mi

Jacob Brandão (PP) é apontado pela Operação Ánomos, deflagrada nesta quarta-feira, 11, como 'líder' de um esquema de fraudes a licitações para serviços de locação de ônibus; Justiça mandou prender mais 11 investigados

Luiz Fernando Teixeira

11 Abril 2018 | 12h58

Foto: João Dionísio/ MP-AL

Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Alagoas, e a Polícia deflagraram nesta quarta-feira, 11, a Operação Ánomos, para prender o ex-prefeito (2009/2016) de Mata Grande, José Jacob Gomes Brandão (PP), envolvido em um esquema de corrupção que teria desviado cerca de R$ 12 milhões dos cofres públicos. Jacob fugiu.

A Justiça de Alagoas decretou a prisão de mais onze investigados, entre eles um cunhado do ex-prefeito.

Ánomos, que dá nome à operação, é palavra de origem grega, que significa um estado sem lei ou regras, cujos gestores não estão submetidos a limites legais ou morais.

As fraudes, segundo os promotores, foram executadas por meio de três empresas fantasmas que, supostamente, prestavam serviços de locação de veículos para a administração da cidade de 25 mil habitantes, situado a 280 quilômetros de Maceió.

A ação acontece nos municípios de Maceió, Paulo Jacinto, Mata Grande e Santana do Ipanema. Os promotores e os policiais cumpriram dez mandados de prisão.

A Justiça decretou a prisão de Jacob, apontado como o ‘líder do esquema’.

Segundo os promotores do Gaeco, os crimes do grupo de Jacob movimentaram R$ 12 milhões. As empresas de fachada, aponta a investigação, celebravam contratos fictícios com a prefeitura de Mata Grande como se estivessem locando veículos ao Executivo.

Os promotores constataram que a prestação de serviços não acontecia e ‘o objetivo do bando era apenas desviar recursos públicos’.

As investigações mostram que as empresas concorriam nas licitações, venciam e, depois, supostamente, sublocavam toda a frota exigida pela prefeitura a pessoas físicas, geralmente parentes e correligionários do então prefeito.

Nos contratos, ficava um porcentual de 40% para o pagamento de quem sublocava os veículos e os outros 60% eram divididos entre o prefeito, o dono da empresa e possíveis atravessadores, informa o Ministério Público.

COM A PALAVRA, A DEFESA DE JACOB

A reportagem está tentando contato com a defesa do ex-prefeito Jacob Brandão. O espaço está aberto para manifestação.