Procuradoria vê elo de operador preso em Portugal com Zelada

Procurado desde o ano passado, Raul Schmidt foi sócio de ex-diretor da Petrobrás nomeado com anuência do MDB

Fabio Serapião/BRASÍLIA

05 Fevereiro 2018 | 05h27

Reprodução

Preso anteontem, em Portugal, Raul Schmidt Felippe Júnior, apontado como operador de propinas pelo Ministério Público Federal, poderá, segundo procuradores, fornecer mais informações sobre como o MDB atuava na diretoria de Internacional da Petrobrás. Segundo a Procuradoria, Schmidt é muito próximo do ex-diretor da estatal responsável pela área, Jorge Zelada.

Preso desde julho de 2015, quando foi alvo da 15.ª fase da Lava Jato, a Conexão Mônaco, Zelada teria sido nomeado ao cargo com a anuência de parlamentares do MDB.

Réu em duas ações na Lava Jato, Schmidt era procurado em Portugal desde o fim de dezembro de 2017, quando seu processo de extradição para o Brasil foi concluído pela Justiça portuguesa. Schmidt chegou a ser preso em março de 2016 na 26.ª fase da Lava Jato, a Polimento, mas foi solto pela Justiça portuguesa. Ele mora em Portugal e tem cidadania do país europeu.
Na Lava Jato, ele apareceu nas investigações após o principado de Mônaco enviar material aos procuradores de Curitiba com suas movimentações financeiras. O operador é apontado como beneficiário econômico da empresa Atlas Asset, offshore sediada no Panamá, cuja conta, a exemplo do que ocorreu com Zelada e com o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque, foi aberta no Julius Baer Bank.


Citação. Uma suposta preocupação com o avanço da Lava Jato sobre o ex-diretor Zelada e seus operadores chegou a ser citada na investigação do ex-senador petista Delcídio Amaral (PT).

Na gravação feita por Bernardo Cerveró, filho do antecessor de Zelada na Petrobrás, Nestor Cerveró, o ex-senador chegou a afirmar que o então vice-presidente Michel Temer teria conversado com o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre as investigações envolvendo Zelada.

“Segundo os documentos, Raul Schmidt seria um amigo de longa data de Jorge Zelada. Eles teriam possuído um apartamento em comum nos anos de 2012 e 2013 e Zelada teria posteriormente comprado a parte de seu amigo”, diz o pedido de prisão do MPF contra o operador. De acordo com o MPF, Schmidt e Zelada ainda seriam sócios na empresa TVP Solar, sediada em Genebra, na Suíça.

Além da relação de amizade e da sociedade, diz o Ministério Público Federal, Schmidt teria atuado para a empresa norueguesa Sevan Marine, que manteve contratos com as áreas de Internacional e de Serviços da Petrobrás, esta comandada por Renato Duque, indicado do PT. O operador também teria atuado em favor do estaleiro coreano Samsung, responsável pela construção de navios-sonda para a estatal.

‘Estupro’. O advogado de Schmidt no Brasil, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, afirmou que a extradição de seu cliente é “absolutamente inconstitucional”. “Esta extradição é um estupro nas relação entre Brasil e Portugal”, afirmou Kakay, para quem Portugal não pode extraditar um português nato.

A reportagem do Estado não conseguiu ontem contato com Renato Moraes, advogado de Jorge Zelada.