Procuradoria tentou bloquear contas de Vaccari

Justiça Federal, porém, não decretou o embargo de ativos do tesoureiro do PT porque considera medida prematura

Redação

06 Fevereiro 2015 | 13h00

Por Ricardo Brandt, Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

O Ministério Público Federal requereu bloqueio das contas de João Vaccari Neto, sob o argumento de que o tesoureiro do PT integra um núcleo de “operadores financeiros que movimentaram em seu nome e lavaram centenas de milhões de reais em detrimento da Petrobrás, no Brasil e no exterior”.

A Procuradoria da República incluiu no pedido de embargo de ativos outros 10 investigados por desvios na estatal petrolífera. “São responsáveis solidários pelos danos causados, requer-se que o bloqueio de ativos não tenha limite, sem prejuízo de posterior análise de situações individuais.”

O pedido foi feito no dia 17 de dezembro de 2014, nos autos da Operação My Way, nova etapa da Lava Jato que revelou esquema de corrupção na BR Distribuidora, subsidiária da Petrobrás. No entanto, a Justiça Federal não acolheu o bloqueio de valores em contas de Vaccari e dos outros alvos da My Way sob fundamento de que “a medida ainda é prematura”. O juiz Sérgio Moro, que conduz todas as ações da Lava Jato, avalia que a “constrição, com efeitos mais graves, demanda melhor prova”.

No mesmo requerimento, a Procuradoria da República incluiu outros 10 investigados: Zwi Skornicki, Milton Pascowitch, Shinko Nakandakari, Mario Frederico Mendonça Goes, Atan de Azevedo Barbosa, Cesar Roberto Santos Oliveira, Guilherme Esteves de Jesus, Bernardo Schiller Freiburghaus, Luís Eduardo Campos Barbosa da Silva e Augusto Amorim Costa.

Vaccari chega a sede da PF para prestar depoimento. Foto: Felipe Rau/ Estadão.

Vaccari prestou depoimento à PF ontem. Foto: Felipe Rau/ Estadão.

Na mesma oportunidade, o Ministério Público Federal requereu a condução coercitiva de Vaccari, medida executada nesta quinta feira, 5, em São Paulo – o tesoureiro do PT foi levado à Polícia Federal para depor sobre as acusações que lhe foram feitas pelo ex-gerente executivo da Petrobrás, Pedro Barusco. O tesoureiro negou recebimento de propinas.

Segundo Barusco, que fez delação premiada e concordou em devolver US$ 100 milhões que teria recebido em propinas, Vaccari Neto arrecadou, em nome do PT, entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões em propinas sobre contratos da Petrobrás, entre 2003 e 2013.

No pedido de condução coercitiva, a Procuradoria da República afirma que João Vaccari Neto foi responsável por operacionalizar o repasse de propinas ao PT, “decorrentes de contratos firmados na Petrobrás”.
Pedro Barusco afirmou que “a partir do momento em que Vaccari assumiu o cargo de tesoureiro do PT, ele passou a receber propinas provenientes de contratos da Petrobrás”.

VEJA A DECISÃO DO JUIZ SÉRGIO MORO