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Procuradoria quer filmes nacionais e estrangeiros com legendas e janela com intérprete de Libras
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Procuradoria quer filmes nacionais e estrangeiros com legendas e janela com intérprete de Libras

Ação civil pública prevê que distribuidoras não possam fornecer apenas cópias dubladas e que Ancine fiscalize o cumprimento

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Julia Affonso

18 Janeiro 2016 | 16h45

Foto: Kerem Yucel/Free Images

Foto: Kerem Yucel/Free Images

O Ministério Público Federal em São Paulo quer todos os filmes nacionais e estrangeiros com legendas e janela com intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras). Segundo inquérito da Procuradoria da República muitos cinemas no Brasil disponibilizam apenas cópias dubladas dos filmes, o que inviabiliza o acesso de pessoas com deficiência auditiva ao conteúdo.

Por meio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, o procurador da República Pedro Antonio de Oliveira Machado ajuizou ação civil pública em face da Agência Nacional de Cinema (Ancine) e de dez distribuidoras de filmes que atuam no país.

Documento

A ação pretende garantir a acessibilidade de pessoas com deficiência auditiva aos filmes exibidos nos cinemas brasileiros.

“Apesar de a legislação brasileira garantir o direito de acesso aos meios de comunicação às pessoas com deficiência, bem como que sejam adotados os recursos técnicos necessários para esta acessibilidade, muitas distribuidoras e também exibidoras – as salas de cinema – deixam de disponibilizar cópias legendadas de seus filmes”, informa nota divulgada pelo Ministério Público Federal na quinta-feira, 14. “Ao mesmo tempo, a Ancine não vem cumprindo seu papel legal de fiscalizar o cumprimento das normas e garantir a acessibilidade às pessoas com deficiência auditiva.”

Segundo a Procuradoria, em nota enviada ao Ministério Público Federal, a agência limitou-se a reconhecer a importância da inclusão das pessoas com deficiência sem, no entanto, descrever quais as políticas já implementadas ou relativas à fiscalização. Para o procurador regional dos Direitos do Cidadão, Pedro Antônio de Oliveira Machado, o cinema hoje é um dos principais veículos de cultura, educação, lazer e informação, cujo acesso é amplo e heterogêneo.

“Privar os deficientes auditivos de acessar as obras cinematográficas é privá-los de exercer em sua forma mais plena e irrestrita a sua cidadania”, diz o procurador na ação.

A ação civil pública pede, em caráter liminar, que as distribuidoras de filmes, no prazo de 60 dias, insiram em todas as cópias de produções audiovisuais destinadas ao mercado nacional, sejam de produção nacional ou estrangeira, legendas abertas ou legendas descritivas na forma “closed caption”, assim como janela com intérprete de Libras, com o objetivo de proporcionar acessibilidade das pessoas com deficiência auditiva a seu conteúdo. Também é determinado à União e à Ancine a fiscalização do pedido acima. Em caso de descumprimento, a Procuradoria pede que seja cobrada multa de R$ 10 mil por dia.

“Apesar de a legenda comum garantir a compreensão do diálogo entre personagens e eventuais narrações no decorrer dos filmes, para garantir a total compreensão da obra é necessária a legenda da forma “closed caption”, que inclui os efeitos sonoros. Para garantir, ainda, o acesso de deficientes não alfabetizados, torna-se imperativa a inclusão da janela com intérprete da Língua Brasileira de Sinais”, informa nota da Procuradoria.

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