Procuradoria no Rio denuncia empresária que trancou empregada na área de serviço por uma semana

Procuradoria no Rio denuncia empresária que trancou empregada na área de serviço por uma semana

Segundo Ministério Público Federal, vítima ficou sete dias sem comer 'porque estava doente e não poderia trabalhar'

Julia Affonso e Fausto Macedo

14 Maio 2018 | 11h57

O Ministério Público Federal no Rio denunciou uma empresária por trabalho escravo. Segundo a acusação, entre dezembro de 2010 e fevereiro de 2011, a acusada teria submetido uma das empregadas domésticas que trabalhava em sua casa em Copacabana a condições degradantes de trabalho.

Documento

De acordo com a denúncia, a empresária ‘manteve a vítima trancada na área de serviço durante uma semana, sem direito a circular pelo restante da casa ou se alimentar’. A Procuradoria não divulgou o nome da acusada.

Na época, a vítima adoeceu. Segundo testemunhas, a denunciada considerou que, se a empregada ‘não podia trabalhar, também não receberia salário nem se alimentaria’.

Os relatos também dão conta de que a denunciada ‘xingava recorrentemente a vítima e proibia que ela e outra funcionária se sentassem no sofá da sala para assistir TV, alegando que teria que passar álcool caso o fizessem’.

Além disso, a jornada era exaustiva, de 7h à meia noite, sem intervalo de descanso ou repouso semanal.

Segundo a acusação, a empresária morava em Brasília e foi residir no Rio, levando a vítima junto.

Para evitar que a empregada fosse embora, a denunciada alegava uma dívida em função da venda de móveis para a trabalhadora. Alegava também que a vítima havia ‘manchado blusas e quebrado itens da casa, o que seria descontado de seu salário’. Fazia ameaças, afirmando que no Rio ‘qualquer bandido bateria por R$ 50 e mataria por R$ 100’.

O caso foi denunciado pelo Ministério Público do Rio em 2014 e a Justiça Estadual declinou a denúncia para a Justiça Federal. A ação foi remetida então ao Ministério Público Federal em abril de 2018, que denunciou novamente o crime e reiterou a competência federal para o julgamento da ação.

COM A PALAVRA, RENATA

A defesa da empresária ainda não consta nos autos da denúncia. A reportagem entrou em contato com advogado que já a defendeu em outras causas, e que afirmou que encaminharia os questionamentos a Renata. O espaço está aberto para manifestação.