Procuradoria denuncia Cerveró por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro

Também foram denunciados o lobista Fernando Baiano, operador do PMDB no esquema de desvios na Petrobrás, e o comprador de um apartamento de luxo do ex-diretor da estatal

Redação

24 Fevereiro 2015 | 10h43

Fausto Macedo e Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, e Julia Affonso

O Ministério Público Federal denunciou o ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró pelos crimes de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, apurados no âmbito da Operação Lava Jato, que investiga esquema de desvios na estatal. A procuradoria denunciou também o empresário Fernando Soares, apontado pela Lava Jato como operador do PMDB, e Oscar Algorta, que segundo o MPF, cometeu o crime de lavagem em transação de compra de um apartamento de luxo atribuído a Cerveró.

As informações foram divulgadas nesta terça-feira, 24, pela Procuradoria-Geral da República. Cerveró, preso em janeiro deste ano, foi diretor da área Internacional da estatal entre 2003 e 2008. Segundo as investigações, Fernando Soares, conhecido como Baiano, atuava como operador financeiro junto à diretoria comandada por Cerveró e intermediava o pagamento de propina. Cerveró e outros ex-diretores da Petrobrás são suspeitos de facilitar a atuação de operadores em contratos da estatal com empreiteiras, em troca de comissões.

Cerveró. Foto: André Dusek/Estadão

Cerveró. Foto: André Dusek/Estadão

O ex-diretor já é alvo de uma ação criminal no âmbito da Lava Jato. Em dezembro no ano passado a Justiça Federal aceitou denúncia contra o ex-diretor e mais três pessoas – entre elas o doleiro Alberto Youssef e Fernando Baiano – por envolvimento no caso. Na ocasião, a Procuradoria afirmou que Cerveró e Fernando Baiano agiram em conluio para receber US$ 30 milhões em propina para facilitar a contratação de dois navios-sonda em 2006 e 2007.

De acordo com a denúncia apresentada nessa segunda-feira, 23, parte da propina recebida por Cerveró foi remetida ao exterior para empresas offshores e parcelas do recurso retornavam ao Brasil em empresas registradas em nomes de terceiros, mas que pertenciam ao ex-diretor.  Oscar Algorta presidia o Conselho de Administração da Jolmey S/A no Uruguai, uma das empresas que teriam recebido dinheiro fruto de propina. Foi essa empresa que, segundo o MPF, comprou uma cobertura no bairro de Ipanema pelo valor de R$ 1,5 milhão. O imóvel atualmente estaria avaliado em R$ 7,5 milhões. O apartamento em seguida foi alugado a Cerveró por R$ 3.650,00, considerado abaixo do praticado no mercado. / COLABOROU LILIAN VENTURINI

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