Procuradoria blinda documentos sobre operador de propinas na Suíça

Bernardo Freiburghaus, apontado como elo da Odebrecht no esquema de corrupção na Petrobrás, quer cópia da investigação que embasou inclusão de seu nome na difusão vermelha da Interpol, mas Lava Jato se opõe

Redação

24 Julho 2015 | 04h00

Registro de Freiburghaus na Interpol. Foto: Reprodução

Registro de Freiburghaus na Interpol. Foto: Reprodução

Por Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Mateus Coutinho e Julia Affonso

O Ministério Público Federal se manifestou à Justiça Federal em Curitiba pelo veto à liberação de documentos que embasaram a inclusão do nome de Bernardo Freiburghaus – suposto operador de propinas da empreiteira Odebrecht na Suíça – na difusão vermelha da Interpol, a Polícia Internacional.

Documento


A difusão vermelha é o índex dos mais procurados em todo o planeta. Freiburghaus foi inserido no cadastro porque é alvo da Operação Lava Jato, investigação sobre corrupção na Petrobrás. Os investigadores atribuem a Freiburghaus o papel de operador de propinas da empreiteira Odebrecht na Suíça.

Um indício dessa relação com a construtora, segundo a força-tarefa da Lava Jato, são os frequentes telefonemas entre Freiburghaus e o diretor da Odebrecht Rogério Araújo – afastado do cargo depois que foi preso, em 19 de junho. Entre 2010 e 2013, eles trocaram 135 ligações, em datas que coincidiram com depósitos de valores em contas do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa. Em delação premiada, Costa confessou ter recebido US$ 23 milhões da Odebrecht.

Em petição à Justiça Federal no Paraná, base da Lava Jato, a defesa de Freiburghaus afirmou que ele é um “agente de investimentos” e que as acusações são “crianção mental” da Procuradoria da República.

A Odebrecht nega envolvimento com o esquema de propinas que se instalou na estatal petrolífera entre 2004 e 2014. A empreiteira afirma que nunca realizou pagamentos ilícitos.

Por meio de seus advogados, Freiburghaus, que mora na Suíça, pediu acesso aos documentos relacionados à cooperação jurídica internacional dirigida àquele País europeu.

Mas os procuradores da República Orlando Martello e Diogo Castor de Mattos, que integram a força-tarefa da Operação Lava Jato, se opõem à abertura dos dados para Freiburghaus. “Os procedimentos mencionados correm em sigilo, ante a cautelaridade dos pedidos neles contidos. O Ministério Público Federal manifesta-se pelo indeferimento do pedido de Bernardo Freiburghaus para não prejudicar a eficácia das investigações.”

O juiz Sérgio Moro, que conduz as ações decorrentes da investigação, vai examinar a manifestação dos procuradores e decdidir se libera ou não os documentos solicitados por Freiburghaus.

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