Procuradoria alertou para ‘concreto risco de fuga’ de operador do MDB

Procuradoria alertou para ‘concreto risco de fuga’ de operador do MDB

Mário Miranda, que estaria em Portugal, é o único alvo da Operação Dejà vu, fase 51 da Lava Jato, que ainda não foi preso; ele e outro investigado teriam recebido US$ 31 milhões por meio de contas no exterior e supostamente representavam políticos da legenda

Luiz Fernando Teixeira e Ricardo Brandt

08 Maio 2018 | 13h22

O único mandado de prisão da Operação Dejà vu, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira, 8, que não foi cumprido é o do operador Mário Miranda. Os procuradores do Ministério Público Federal haviam alertado que era ‘concreto o risco de fuga’ dele. Miranda tem residência em Portugal. Os federais não o encontraram em seu endereço no Brasil.

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“Mário Miranda informou ao Ministério Público Federal, ainda, estar residindo em Portugal, tendo alegadamente comunicado a saída definitiva do país à Receita Federal do Brasil. A análise de seu fluxo migratório, fornecido pela Delegacia de Polícia de Imigração – Delemig, revelou que Mário Miranda tem entrado e saído periodicamente, em espaços de tempo de 30 a 60 dias, do país, ao menos desde 2016, sendo a maioria de suas viagens para Portugal”, traz a peça.

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Miranda e o operador Sérgio Boccaletti tiveram pedido de prisão pedido ‘para inviabilizar o prosseguimento de suas inúmeras práticas delitivas, garantindo a manutenção da ordem pública e econômica’. Eles teriam recebido US$ 31 milhões através de contas mantidas por operadores financeiros no exterior e supostamente representavam políticos do PMDB.

Miranda e Boccaletti se encarregavam de disponibilizar o valor equivalente em moeda nacional, em espécie e no Brasil, ao encarregado pelo recebimento e distribuição do dinheiro aos agentes políticos.

“Ademais, conforme a análise não exaustiva da documentação encaminhada pelas autoridades suíças revelou, é possível e bastante plausível que Mário Miranda e Sérgio Boccaletti tenham se utilizado de outras contas, pertencentes a outras pessoas – em nome de empresas offshores ou não –, para a intermediação de vantagens indevidas repassadas por empresas contratadas pela Petrobrás, cujas transações ainda não restaram identificadas pelos órgãos de investigação.”

Os pagamentos foram realizados mediante a utilização de estratégias de ocultação e dissimulação, contando com a atuação do Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, de operadores financeiros e doleiros, especialistas na lavagem de dinheiro. Além do pagamento em espécie, foram utilizadas diversas contas mantidas no exterior e que estavam em nome de empresas offshores com sede em paraísos fiscais.