Procuradora diz que guardião da Constituição deu ‘dolorido’ golpe na alma do Brasil

Procuradora diz que guardião da Constituição deu ‘dolorido’ golpe na alma do Brasil

Thamea Danelon, da força-tarefa do Ministério Público Federal em São Paulo, avalia que sessão do Supremo que deu salvo-conduto a Lula é 'um grande retrocesso'

Julia Affonso e Fausto Macedo

24 Março 2018 | 09h32

Thaméa Danelon. Foto: Arquivo Pessoal

A procuradora da República Thaméa Danelon, que integra a força-tarefa da Operação Lava Jato em São Paulo, disse que o Supremo ‘tem sido extremamente benevolente com criminosos ricos e poderosos’. Em sua conta no Twitter, depois que a Corte máxima deu salvo-conduto ao ex-presidente Lula, livrando-o, pelo menos até o dia 4 de abril, de uma eventual ordem de prisão, Thaméa Danelon escreveu.

“Hoje o Brasil tomou um forte e dolorido golpe no rosto e na alma, do Guardião da Constituição.”

Decisão sobre Lula no Supremo anima defesas de condenados

Ela apontou diretamente para a sessão do Supremo, na quinta-feira, 22, que aliviou a situação para Lula, condenado em segundo grau judicial – pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4) -, a 12 anos e um mês de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do triplex do Guarujá.

Em fevereiro de 2016, o Supremo já havia decidido que condenado por segundo grau judicial pode ter a pena executada. É o caso de Lula.

Mas, na quinta, os ministros da Corte blindaram o ex-presidente, impedindo que ele seja preso até julgamento do pedido de habeas corpus preventivo, marcado para depois da Páscoa – a defesa pede que o petista fique em liberdade até que se esgotem todos os recursos, ou seja, até o trânsito em julgado da sentença do triplex.

“4 anos de Lava Jato. Excelentes avanços. Sessão do STF 22/03/18, grande retrocesso”, postou Thaméa Danelon.

Na avaliação da procuradora, o Supremo ‘tem sido extremamente benevolente com criminosos ricos e poderosos’.

“Para o STF, não importa o partido ou ideologia político partidária. Basta ser rico, ou poderoso, que será tratado com benevolência; não por todos os Ministros, mas pelas Ministras e pela maioria daqueles.”

Também no Twitter, Diogo Ringenberg, do Ministério Público de Contas de Santa Catarina, escreveu. “A atual composição do STF entrará para a história como aquela que fez sucumbir a instituição.”

Para Ringenberg, o órgão de cúpula do Poder Judiciário ‘deu lugar a uma massa institucional disforme, despersonificada, que se demitiu de suas funções para assumir a proteção ao crime praticado por alguns’.

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