Procurador preso na Patmos defendeu na Câmara combate à corrupção

Procurador preso na Patmos defendeu na Câmara combate à corrupção

Ângelo Goulart, capturado por ordem do ministro Edson Fachin sob suspeita de vazar investigações do Ministério Público Federal ao Grupo JBS, fez há quase um ano na Câmara enfático pronunciamento a favor do 10 Medidas contra a Corrupção, projeto dos sonhos da Lava Jato

Julia Affonso e Fausto Macedo

18 Maio 2017 | 14h22

Ângelo Goulart. Foto: Reprodução

O procurador da República Ângelo Goulart, preso nesta quinta-feira, 18, na Operação Patmos, por suspeita de vazar investigações do Ministério Público Federal ao Grupo JBS, defendeu vigorosamente o 10 Medidas contra a Corrupção, projeto dos sonhos da força-tarefa da Operação Lava Jato.
Há quase um ano, no dia 22 de junho de 2016, Goulart subiu à tribuna da Casa para discursar sobre o polêmico pacote de medidas propostas pelos procuradores da Lava Jato.

Goulart era integrante da equipe do vice-procurador geral Eleitoral, Nicolau Dino, e recentemente estava cedido à força-tarefa das operações Greenfield, Cui Bono e Sépsis, que apura crimes relacionados à JBS. Joesley Batista e outros delatores da JBS teriam entregado provas de que o procurador repassou dados sigilosos aos investigados.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu o afastamento de Ângelo Goulart Villela de suas funções no Ministério Público Federal, determinou também sua exoneração da função de assessor da Procuradoria-Geral Eleitoral junto ao TSE e revogou a designação para atuar na força-tarefa da Operação Greenfield.


Goulart defendeu a oitava medida da proposta encampada pelo Ministério Público Federal, a responsabilização dos partidos políticos e criminalização do caixa 2.

“Medida essa de caráter estritamente eleitoral, mas que contribui sensivelmente no aprimoramento do combate à corrupção no País. A medida número 8 tem como finalidade a responsabilização dos partidos políticos e da criminalização do chamado caixa 2, medidas essas que contribuem para a formação de eleições livres, justas e legítimas”, afirmou.

O discurso de Goulart durou cerca de cinco minutos. O procurador defendeu a responsabilização dos partidos ‘por atos de forma civil, administrativa e eleitoral por condutas, por atos de corrupção’.

“Nós temos em vigor hoje a lei anticorrupção destinadas às pessoas jurídicas e nós estamos trazendo essas diretrizes dessa legislação para seara eleitoral”, explicou. “Precisamos, caros colegas, verificar que quando nós vemos doações eleitorais oficiais que estão dissimulando um pagamento de propina, é preciso atentar para este fato. É preciso que não só aquele que está pagando a propina, seja punido, mas sobretudo aquele partido ou aquele candidato que esteja recebendo também o seja e nesses atos de lavagem.”

No fim do discurso, ele fez um apelo. “É preciso dar um basta neste tipo de conduta, é preciso dar um basta no caixa 2 que acaba gerando um abuso do poder econômico e sequestrando daqueles candidatos que querem realmente participar de um pleito justo, limpo, equilibrado e de igual oportunidade a possibilidade de eles contribuírem no processo eleitoral.”

Investigação. O procurador teria tido encontros com representantes da JBS sem comunicar aos colegas. Conforme as colaborações, numa ocasião, teria ligado para um dos investigadores da força-tarefa, na presença de integrantes do grupo empresarial, e colocado a conversa em viva-voz. Ele também teria tirado uma cópia de diálogo de procuradores sobre o caso, em grupo privado do Instagram, e repassado à empresa.

O procurador é suspeito ainda de gravar uma reunião na qual a força-tarefa tratava de uma possível colaboração do empresário Mário Celso Lopes, parceiro de negócios da J&F, holding que controla a JBS e outras empresas do grupo.

O Estado não localizou nesta sexta-feira representantes do procurador aprisionado na Operação Patmos. O gabinete em que ele trabalhava, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi alvo de mandado de busca e apreensão.

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