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Procurador manda para Supremo fatia da Alba Branca que cita Baleia, Marquezelli e secretário de Alckmin

Procurador manda para Supremo fatia da Alba Branca que cita Baleia, Marquezelli e secretário de Alckmin

Deputados federais Baleia Rossi (PMDB), Nelson Marquezelli (PTB) e Duarte Nogueira (PSDB) tiveram seus nomes mencionados por investigados da Operação Alba Branca

Pedro Venceslau e Fausto Macedo

06 Fevereiro 2016 | 06h00

O deputado federal Baleia Rossi (PMDB-SP). Foto: Lucio Bernardo Junior / Câmara dos Deputados

O deputado federal Baleia Rossi (PMDB-SP). Foto: Lucio Bernardo Junior / Câmara dos Deputados

O procurador geral de Justiça de São Paulo, Márcio Fernando Elias Rosa, deslocou para o Supremo Tribunal Federal uma parte da Operação Alba Branca que cita os deputados federais Nelson Marquezelli (PTB), Baleia Rossi (presidente estadual do PMDB) e Duarte Nogueira (PSDB), este licenciado do mandato porque ocupa o cargo de secretário de Logística e Transportes do governo Geraldo Alckmin.

Os parlamentares tiveram seus nomes citados por investigados da Alba Branca. Missão conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual, Alba Branca desarticulou organização criminosa que fraudava licitações da merenda escolar e superfaturava produtos agrícolas e suco de laranja.

Quatro funcionários e o presidente da Coaf – cooperativa apontada como carro chefe da quadrilha -, Cassio Chebabi, revelaram à força-tarefa que prefeitos e servidores públicos eram destinatários de um valor equivalente a 10% a até 20% dos contratos firmados com órgãos públicos.

Pelo menos 22 prefeituras teriam firmado contratos com a Coaf em troca de propinas.

O secretário estadual dos Transportes, Duarte Nogueira (PSDB). FOTO: ESTADÃO

O secretário estadual dos Transportes, Duarte Nogueira (PSDB). FOTO: ESTADÃO

Os deputados federais não são acusados. Mas a menção a eles nos depoimentos de alvos da investigação levou o chefe do Ministério Público Estadual a decidir pela remessa dessa parte dos autos para o Supremo – instância máxima da Justiça que detém competência legal para abrir inquérito contra detentores de mandato na Câmara.

Alba Branca será distribuída para um dos ministros do Supremo. O ministro deverá encaminhar o caso para a Procuradoria-Geral da República, a quem compete propor ou inquérito contra parlamentar federal.

Deputado Nelson Marquezelli, do PTB. Foto: Divulgação

Deputado Nelson Marquezelli, do PTB. Foto: Divulgação

A etapa inicial da investigação aponta a distribuidora de bebidas de Marquezelli, em Pirassununga, interior de São Paulo, como um dos endereços de suposta entrega de propinas da quadrilha da merenda escolar que agia em pelo menos 22 prefeituras e mirava em contratos da Secretaria da Educação do governo Alckmin.

Um dos alvos da investigação, Carlos Luciano Lopes, relatou ao Ministério Público e à Polícia Civil que o lobista da organização Marcel Ferreira Júlio fazia pagamentos naquele local de “comissões” sobre venda de produtos agrícolas superfaturados para merenda.

O depoimento de Lopes foi dado no dia 20 de janeiro, um dia depois que Alba Branca foi deflagrada.

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O vice-presidente da Coaf, Carlos Alberto Santana da Silva, o Cal, afirmou ter ouvido do presidente da entidade, Cássio Chabib, e de vendedores da cooperativa ‘que em relação às vendas para as prefeituras de Campinas e Ribeirão Preto valores eram repassados ao deputado Baleia Rossi’. “Sendo que os valores eram pagos por Cassio Chebabi.”

Cássio Chebabi apontou aos investigadores da Operação Alba Branca os nomes do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, Fernando Capez (PSDB), e do secretário estadual de Logística e de Transportes Duarte Nogueira, como supostos beneficiários de uma propina de 10% sobre contratos da Secretaria de Estado da Educação no governo Geraldo Alckmin (PSDB).

Um contrato, disse Chebabi, no valor de R$ 13 milhões, teria sido assinado em 2015 para fornecimento de suco de laranja.

Os três parlamentares federais, Nelson Marquezelli, Duarte Nogueira e Baleia Rossi rechaçaram com veemência a citação a seus nomes.

Eles afirmam que não conhecem a Coaf nem seu presidente.

COM A PALAVRA, O DEPUTADO BALEIA ROSSI (PMDB/SP)

“Eu não tenho nada o que esconder. Meus sigilos fiscal e bancário estão à disposição da Justiça. Não tenho nenhuma preocupação.”

COM A PALAVRA, O DEPUTADO DUARTE NOGUEIRA (PSDB), SECRETÁRIO DE LOGÍSTICA E TRANSPORTES DO GOVERNO GERAL ALCKMIN

“Estou totalmente aberto para prestar esclarecimentos. Tomei a iniciativa de ir à Corregedoria na quinta-feira. Procurei também a Polícia e o Ministério Público Estadual”

COM A PALAVRA, O DEPUTADO NELSON MARQUEZELLI (PTB/SP)

No início da semana, o deputado Nelson Marquezelli declarou à reportagem do Estado. “Jamais fiz isso, nunca soube o que era a cooperativa Coaf, nunca tinha ouvido falar. Meus amigos estão estarrecidos. Por isso já estou tomando as medicas cabíveis. Pela Procuradoria da Câmara vamos notificar a cooperativa para que os denunciantes apresentem as provas de meu envolvimento. Depois dessa inquirição vou ingressar com as ações indenizatórias, mas não quero um centavo, um único tostão. Tudo será doado para a Santa Casa de Misericórdia de Pirassununga.”

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