Prisão interrompe estilo de vida criminoso, diz Moro sobre Pedro Corrêa

Prisão interrompe estilo de vida criminoso, diz Moro sobre Pedro Corrêa

Juiz Sérgio Moro afirma que manutenção da custódia preventiva de ex-deputado, capturado em 10 de abril, na 11ª fase da Lava Jato, é necessária

Julia Affonso, Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

30 Outubro 2015 | 07h42

Pedro Corrêa. Foto: Celso Junior/AE

Pedro Corrêa. Foto: Celso Junior/AE

Na sentença em que condenou o ex-deputado Pedro Corrêa a 20 anos de prisão, por corrupção e lavagem de dinheiro, o juiz Sérgio Moro determinou que o ex-parlamentar continue preso. Pedro Corrêa cumpre prisão preventiva desde 10 de abril, quando foi detido na 11ª fase da Operação Lava Jato. Segundo o magistrado, a necessidade da prisão cautelar se justifica, entre outros motivos, pelo fato de Pedro Côrrea ‘ser recorrente em escândalos criminais’. O ex-deputado já foi condenado no processo do Mensalão por corrupção e lavagem.

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“Persistiu recebendo propina do esquema criminoso da Petrobrás mesmo durante o julgamento pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal da Ação Penal 470, o que revela que a prisão cautelar é meio necessário para interromper seu estilo de vida criminoso”, destacou Moro.

A sentença do magistrado atribui a Pedro Corrêa o recebimento de pelo menos R$ 11,7 milhões em propina. Os valores teriam saído do esquema de corrupção instalado na Petrobrás, entre 2004 e 2014. O magistrado determinou o confisco de até R$ 11,7 milhões de Pedro Corrêa. O valor deverá ser revertido para a Petrobrás.

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O juiz considerou ainda ‘a gravidade em concreto dos crimes’ praticados na Lava Jato, como justificativa para a manutenção da prisão de Pedro Corrêa, e que ‘o condenado estava envolvido na prática habitual, sistemática e profissional de crimes contra a Petrobrás e de lavagem de dinheiro’.

“Agrego que, em um esquema criminoso de maxipropina e maxilavagem de dinheiro, é imprescindível a prisão cautelar para proteção da ordem pública, seja pela gravidade concreta dos crimes, seja para prevenir reiteração delitiva, incluindo a prática de novos atos de lavagem do produto do crime ainda não recuperado”, observou Sérgio Moro.

Também foram condenados o ex-chefe de gabinete do ex-deputado, Ivan Vernon Gomes Torres Junior, e Rafael Ângulo Lopez, apontado como o ‘faz-tudo’ do doleiro Alberto Youssef. Como fez delação premiada, Rafael Ângulo Lopez cumprirá pena acertada em seu acordo de colaboração.

Sérgio Moro absolveu o filho de Pedro Corrêa, Fábio Correa de Oliveira Andrade Neto, da imputação do crime de lavagem de dinheiro ‘por falta de adequação típica’, e a nora do ex-parlamentar, Márcia Danzi Russo Correa de Oliveira, da imputação do crime de lavagem de dinheiro ‘por falta de prova suficiente de que agiu com dolo’.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO ALEXANDRE LOPER, QUE DEFENDE PEDRO CORRÊA

“A sentença é fundada em presunções. E ainda que existissem provas que pudessem gerar uma condenação, a imputação de corrupção e lavagem ao mesmo tempo  é vedada pela jurisprudência do STF. Vamos recorrer”, informou o advogado Alexandre Loper.

COM A PALAVRA, O ADVOGADO MARLUS ARNS

“Vamos analisar a sentença após sermos intimados”, afirmou Marlus Arns, advogado que defende Ivan Vernon.