Prisão de amigos deixou Temer ‘muito aborrecido, estupefato’

Prisão de amigos deixou Temer ‘muito aborrecido, estupefato’

Criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira almoçou nesta sexta-feira, 30, com o presidente, de quem é advogado e conselheiro; ele afirma que 'há uma obstinação' em se imputar ao emedebista fatos ilícitos

Fausto Macedo e Julia Affonso

31 Março 2018 | 06h15

O presidente da Republica, Michel Temer conversa com o advogado Antonio Claudio Mariz, no Palácio da Alvorada. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADAO

O presidente Michel Temer está ‘estupefato’, ‘muito aborrecido’ com a Operação Skala, que prendeu amigos seus – como o empresário e advogado José Yunes, o coronel João Baptista Lima Filho e o ex-ministro Wagner Rossi. Durante almoço nesta sexta-feira, 30, com seu advogado e conselheiro, o criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, no Palácio do Alvorada, o presidente disse estar ‘constrangido’ com a prisão de antigos aliados, a quem declarou ‘solidariedade’.

O advogado Antonio Claudio Mariz, deixa o Palácio da Alvorada. FOTO: DIDA SAMPAIO/ESTADAO

Mariz disse que não conversou com o presidente sobre uma possível estratégia para blindar o emedebista da Skala. “O presidente não foi atingido pela operação, logo não há porque peticionarmos nos autos”, disse o criminalista, que no almoço estava acompanhado do filho, o advogado Fábio Mariz.

“Não há estratégia a ser montada porque o presidente não foi alcançado pelas medidas de ontem (quinta-feira, 29). Veja que ele nunca é o alvo direto. Mas qualquer tipo de investigação ou diligências acaba envolvendo o presidente. Sem ele ser envolvido diretamente. Termina-se sempre dizendo que há suspeitas sobre o presidente, que estaria por trás disso e daquilo, falam de pessoas agindo para beneficar o presidente. Mas quais são as suspeitas? Baseadas em que fatos? Pessoas ligadas ao presidente? A questão é essa, um verdadeiro processo kafkiano. O presidente está muito aborrecido com as prisões (de seus amigos), constrangido, solidário a eles todos, homens de idade.”

“Não se sabe qual a responsabilidade desses homens (presos na Skala), o que se imputa a eles objetivamente. Wagner Rossi foi presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo há 20 anos. José Yunes já depôs três ou quatro vezes. Não dá para entender bem o que está acontecendo”, argumenta Mariz.

O advogado anotou que ‘há sempre uma mobilização de autoridades, da Procuradoria, da polícia, da magistratura, para dar a impressão de que o presidente efetivamente é alvo de investigações’.

“Não se fala efetivamente o que está sendo investigado, e nem o que se imputa a eles (os amigos e aliados do presidente).”

“Há uma grande estupefação por parte do presidente, de minha parte e de toda a equipe em face dessa insistência, dessa obstinação em querer imputar a ele a prática de um crime”, reagiu Mariz.

O criminalista destacou que, em 2017, o presidente foi investigado por causa da gravação do empresário Joesley Batista, da JBS, no Jaburu. “Já se mostrou que a gravação não trazia nenhum indício, nenhuma prova de qualquer prática delituosa. Os responsáveis pela gravação e pela delação premiada em relação àqueles fatos foram processados e foram presos, portanto, desmoralizados perante as autoridades.”

“Não obstante, continuam a usar esses mesmos fatos para acusar o presidente, ainda que informalmente. Depois, tentou-se envolver o presidente no inquérito do MDB na Câmara e, mais uma vez, não se provou absolutamente nada. Agora, mesmo com a prova cabal de que a empresa Rodrimar não se beneficiou com o Decreto dos Portos, não se satisfazem, procuram de qualquer maneira encontrar qualquer tipo de elemento que possa levar a uma suposição, a uma hipótese, a uma criação mental que o presidente está envolvido em alguma ilicitude.”

Mariz disse que ‘agora recuperou-se um inquérito já arquivado duas vezes sobre fatos ocorridos há 20 anos’.

“Esse fatos se referem a uma pessoa que fez menção ao presidente e se retratou formalmente. Mesmo assim continuam explorando esses fatos para se criar um clima de responsabilização penal em relação ao presidente. Enfim, quer se manter essa chama acesa, que o presidente cometeu algum delito.”

O criminalista lança um desafio. “Eeu pergunto: qual delito especificamente teria o presidente praticado? Quais os fatos delituosos a ele imputados? Não há resposta para essas perguntas. Ele beneficiou a empresa Rodrimar? Mas como se a Rodrimar não foi beneficiada?”

“A cada momento se procura fazer alguma ilação contra ao presidente”, protesta Mariz. “Não se satisfazem com o que já está provado, que é a inocência do presidente. Há um desejo inexplicável em envolver o presidente em algum fato, alguma conduta ilícita.”

O advogado do presidente argumenta, ainda, que ‘aprendeu nos bancos escolares que o que não está no processo não está no mundo’.

“No entanto, tem se procurado construções mentais, ficções para manter o presidente sempre como alvo de alguma investigação”, segue Mariz. “Parece que não se quer deixar o presidente governar o País. Ele é sempre alvo de uma perseguição, uma ideia obsessiva de comprometê-lo com algum fato delituoso.”

O advogado relatou que Temer ‘está estupefato’

“Durante o almoço não entramos no mérito (da Operação Skala), entendemos que a linha de qualquer investigação referente a fatos e pessoas diretamente ligados ao presidente sempre termina na busca de um indício, de uma hipótese, de suposição para incriminá-lo.”

“Não há porque peticionar nos autos (da Operação Skala). Não há uma estratégia a ser adotada pelo presidente. Houve a prisão de várias pessoas e a cada uma delas se atribui a prática de fatos, mas nada específico.”

Mariz repudiou enfaticamente uma tática dos investigadores que estariam usando dados de uma outra investigação dentro da investigação sobre o Decreto dos Portos.

“Fazem uma confusão para deixar a opinião pública iludida, enganada, fazendo com que se imagine que o presidente está envolvildo em alguma ilicitude.”

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