Primo de Pedro Taques é preso de novo

Primo de Pedro Taques é preso de novo

Polícia Civil de Mato Grosso cumpre nesta quarta-feira, 27, oito mandados de prisão e 16 de busca e apreensão na Operação Esdras, que mira a 'Grampolândia Pantaneira'

Julia Affonso e Fausto Macedo

27 Setembro 2017 | 11h58

Paulo Taques. Foto: Site do Governo do Mato Grosso

A Polícia Civil de Mato Grosso cumpre nesta quarta-feira, 27, oito mandados de prisão e 16 de busca e apreensão na Operação Esdras, que mira a ‘Grampolândia Pantaneira’. O ex-secretário da Casa Civil, Paulo César Zamar Taques, primo do governador Pedro Taques (PSDB), foi preso de novo.

A operação faz parte da investigação contra o esquema ‘barriga de aluguel’, a máquina de grampos ilegais instalada no Estado por um núcleo de policiais militares. As escutas telefônicas clandestinas em série atiraram até mil autoridades, políticos, jornalistas e personalidades na malha da grampolândia do Pantanal.

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Além de Paulo Taques, também são alvo de mandados de prisão o coronel da PM Airton Benedito Siqueira Junior (secretário de Justiça e Direitos Humanos), o ex-secretário da Casa Militar Evandro Lesco, sua mulher Helen Christy Carvalho Dias Lesco, o sargento da PM João Ricardo Soler, o major da PM Michel Ferronato, o secretário afastado de Segurança Pública, Rogers Elizandro Jarbas, e José Marilson da Silva.

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Paulo Taques deixou a Casa Civil em maio deste ano. Ele havia sido preso em 4 de agosto por suspeita de grampear até sua ex-amante, a publicitária Tatiana Sangalli, e sua ex-assessora Carolina Mariane. A investigação diz que Tatiana é conhecida por ‘Dama Lora’ e Carolina é a ‘Amiguinha’.

O ex-Casa Civil foi solto em 10 de agosto por ordem do Superior Tribunal de Justiça. Na ocasião, o ministro Reynaldo Soares da Fonseca afirmou que ‘a prisão provisória é medida excepcional, reservada para os casos de absoluta imprescindibilidade demonstrados os pressupostos e requisitos de cautelaridade’.

O ministro havia imposto restrições ao ex-chefe da Casa Civil, como a proibição de se comunicar com integrantes do serviço de inteligência do Estado. Taques também ficava obrigado a não frequentar prédios públicos da governadoria, da secretaria de Estado da Segurança, da secretaria de Estado da Justiça e Direitos Humanos, da Casa Civil, da Casa Militar e da Polícia Militar do Estado. Não podia sair do País e teria de comparecer mensalmente à Justiça.

COM A PALAVRA, O GOVERNO DE MATO GROSSO

Diante da Operação Esdras, realizada nesta quarta-feira (27.09) por determinação do desembargador Orlando de Almeida Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, o Governo do Estado vem a púbico manifestar o que segue:
01) O Governo recebeu com surpresa e perplexidade os fatos revelados pela Operação Esdras. São fatos gravíssimos que, se comprovados após o devido processo legal, merecem a indignação de toda a sociedade mato-grossense.
02) O Governo reitera que apoia desde o início as investigações sobre o que foi denominado de ‘Grampolândia Pantaneira’, tendo, entre outras medidas, instaurado um IPM (Inquérito Policial Militar), inquéritos na Polícia Judiciária Civil e sindicâncias no âmbito da CGE (Controladoria Geral do Estado) para se apurar, por exemplo, adulteração no sistema de protocolo geral do Palácio Paiaguás, conforme já manifestado em outros comunicados oficiais.
03) Lembra, ainda, que remeteu ao GAECO (Grupo de Atuação e Combate ao Crime Organizado) do Ministério Público Estadual, em outubro de 2015, a única denúncia que chegou ao conhecimento do governador sobre as supostas interceptações telefônicas ilegais. E que tal denúncia foi arquivada no mesmo mês e ano pelo GAECO.
04) Em relação aos dois secretários presos nesta quarta-feira, o governador Pedro Taques anuncia o afastamento do Coronel PM Airton Siqueira Junior da Secretaria de Justiça e Direitos Humanos, com a designação do delegado de polícia Fausto de Freitas, do Gabinete de Transparência e Combate à Corrupção (GTCC), para responder pela SEJUDH, cumulativamente, até que todos os fatos relacionados aos dois ex-secretários sejam devidamente esclarecidos.
05) O Governo de Mato Grosso conclama os demais poderes e a sociedade civil organizada a se unirem neste momento de dificuldades institucionais, por entender que o Estado e suas instituições são maiores que os indivíduos e suas circunstâncias, e devem se manter fortes, estáveis e coesos para liderar a sociedade na superação de seus desafios, sejam eles quais forem.
Cuiabá-MT, 27 de setembro de 2017.

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