Preso, Lula diz em carta que PT pode ficar à vontade sobre candidatura

Preso, Lula diz em carta que PT pode ficar à vontade sobre candidatura

Ex-presidente, que cumpre pena no prédio sede da Polícia Federal em Curitiba, base da Lava Jato, entregou carta à presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, em que afirma que ficou feliz com pesquisa na qual aparece com 30% ou 31% das intenções de voto para a Presidência

Julia Lindner/BRASÍLIA

23 Abril 2018 | 17h44

AFP PHOTO / Miguel SCHINCARIOL

Da prisão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado na Operação Lava Jato, escreveu que o PT pode ficar à vontade para tomar ‘qualquer decisão’ sobre a eleição deste ano. Em carta destinada à presidente nacional da sigla, senadora Gleisi Hoffmann (PR), Lula também afirmou que quer a sua liberdade e que ficou feliz com o resultado da última pesquisa Datafolha, divulgada na semana passada, na qual aparece com 30% ou 31% das intenções de voto nos três cenários em que seu nome foi testado.

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A mensagem foi lida por Gleisi nesta segunda-feira, 23, no Diretório Nacional da legenda, que foi transferido para Curitiba após o encarceramento do ex-presidente na Superintendência da Polícia Federal, há cerca de duas semanas. “(Queria que vocês) ficassem totalmente à vontade para tomar qualquer decisão. O ano de 2018 é muito importante para o PT, para a esquerda, para a democracia e, para mim, eu quero a minha liberdade”, leu a senadora Gleisi.

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Lula escreveu ainda que existem insinuações de que, se ele não for candidato à Presidência e ficar ‘longe dos holofotes’, seria mais fácil assegurar uma decisão favorável a ele no Supremo Tribunal Federal (STF).

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“Querida Gleisi, a Suprema Corte não tem que me absolver porque sou candidato, porque vou ficar bonzinho, ela tem que votar porque sou inocente e também para recuperar o papel constitucional que é ser garantia do comportamento da constituição”, seguiu Lula.

O petista terminou o texto mandando um ‘abraço carinhoso’ a todos e disse que está com ‘saudades’. “Fiquei feliz com a pesquisa (Datafolha) e preciso discutir com os nossos para ver como fortalecer a ideia da prova. Vou conversar com advogados para falarem com você. A luta continua. Até a vitória final. Beijos do seu amigo e companheiro Lula”, despediu-se.

A carta não foi divulgada na íntegra , porém o vídeo com parte da leitura do documento foi divulgado na página do ex-ministro Alexandre Padilha (PT) no Facebook.

Embora a Lei da Ficha Limpa impeça a candidatura de políticos condenados em segunda instância, caberá à Justiça eleitoral dar a palavra final sobre a participação ou não de Lula na eleição. O PT pretende pedir o registro da candidatura do ex-presidente e levar a disputa judicial até o último recurso possível.