‘Pregar fim da Lava Jato é defender liberdade para ladrões do dinheiro público prosseguirem’, diz procuradora

‘Pregar fim da Lava Jato é defender liberdade para ladrões do dinheiro público prosseguirem’, diz procuradora

Operção deflagrou sua fase 42 e prendeu o ex-presidente da Petrobrás Aldemir Bendine

Julia Affonso e Fausto Macedo

27 Julho 2017 | 08h02

Petrobrás. Foto: PAULO VITOR/AGENCIA ESTADO/AE

A procuradora da República Jerusa Burmann Viecili defendeu a continuidade das investigações da Operação Lava Jato nesta quinta-feira, 27. O ex-presidente da Petrobrás Aldemir Bendine foi preso pela Polícia Federal na Operação Cobra, fase 42 da Lava Jato, deflagrada pela manhã.

“Há quem fale que as investigações contra a corrupção têm que acabar, mas casos como esse deixam claro que os criminosos não vão parar. Pregar o fim da Lava Jato é defender a liberdade para os ladrões do dinheiro público prosseguirem. Se queremos um Brasil com menos corrupção, é preciso ir até onde eles foram e estão dispostos a ir”, diz a procuradora da República Jerusa Burmann Viecili.

Bendine pediu propina ‘na véspera’ de assumir Petrobrás, diz Lava Jato


Fachin acelera Lava Jato para julgar políticos em 2017

A pedido da força-tarefa do Ministério Público Federal no Paraná, a Justiça expediu e a Polícia Federal cumpre, na manhã desta quinta-feira, três mandados de prisão temporária e 11 de busca e apreensão em nova fase da Lava Jato. Os focos principais desta operação são Aldemir Bendine e operadores financeiros suspeitos de operacionalizarem o recebimento de R$ 3 milhões de reais em propinas pagas pela Odebrecht em favor do ex-presidente da Petrobrás.

O principal alvo desta nova fase esteve à frente do Banco do Brasil entre 17 de abril de 2009 e 6 de fevereiro de 2015, e foi presidente da Petrobrás entre 6 de fevereiro de 2015 e 30 de maio de 2016.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, neste ano de 2017, ‘um dos operadores financeiros que atuavam junto a Bendine confirmou que recebeu a quantia de R$ 3 milhões da Odebrecht, mas tentou atribuir o pagamento a uma suposta consultoria que teria prestado à empreiteira para facilitar o financiamento junto ao Banco do Brasil’.

O Ministério Público Federal afirma que a empresa utilizada pelo operador financeiro era de fachada.

Para o procurador da República Athayde Ribeiro Costa , ‘é incrível topar com evidências de que, após a Lava Jato já estar em estágio avançado, os criminosos tiveram a audácia de prosseguir despojando a Petrobrás e a sociedade brasileira’.

“Os crimes recentes são a prova viva de que a prisão é necessária para frear o ímpeto criminoso de um esquema que vem desviando bilhões há mais de década”, diz.

O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Paraná, diz que ‘preocupa a todos nós o arrefecimento do investimento na Lava Jato pela direção da Polícia Federal’.

“Das últimas sete operações da Lava Jato, seis foram pedidas pelo Ministério Público. É preciso preservar o trabalho da Polícia Federal nas investigações. O Ministro da Justiça e o Delegado-Geral têm poder e a consequente responsabilidade sobre o tamanho do efetivo, que foi reduzido para menos de metade”, observou.

Mais conteúdo sobre:

operação Lava JatoAldemir Bendine