Policial ameaçava empresários com arma de fogo por Garotinho, diz Procuradoria

Policial ameaçava empresários com arma de fogo por Garotinho, diz Procuradoria

Aposentado da corporação, Antônio Carlos, conhecido como 'Toninho', detinha contratos milionários com a Prefeitura de Campos de Goytacazes e é visto como o 'braço armado' do ex-governador pelo Ministério Público Eleitoral do Rio

Julia Affonso e Luiz Vassallo

22 Novembro 2017 | 15h08

Reprodução de trecho da denúncia do Ministério Público

O Policial Civil aposentado Antônio Carlos foi denunciado pelo Ministério Público Eleitoral do Rio por ameaçar com o uso de armas de fogo e seus comparsas empresário para que repassasse valores de caixa dois à campanha do ex-governador do Rio, em 2014. Segundo os promotores, ‘Toninho’, como era chamado, era o ‘braço armado’ do político, preso nesta quarta-feira, 22.

Documento

O quarto denunciado, Policial Civil aposentado Antônio Carlos ‘Toninho’, além de ser sócio da empresa Ribeiro Azevedo Construções, com a qual o Município também possuía contratos milionários de obras, era o braço armado da referida organização, sendo ele quem fazia as cobranças dos valores ‘devidos’ pelas empresas, ao Grupo político referido.

Segundo a denúncia, Anthony Garotinho pediu propinas de R$ 5 milhões aos empresários Maurício Videira Macedo (sócio da empresa Hidrolumen), Carlos Alberto Faria Gomes (sócio da Fargom, que, por sua vez, era sócio da Macro Engenharia), José Geraldo Gomes Manhães, Thiago de Castro Gomes (ambos sócios da empresa Construsan), Josimar de SOuza Gonçalves (sócio da empresa Cofranza), Paulo César Paes de Freitas (sócio da Working) e Ari Pessanha Monteiro (sócio da Construtora Avenida, que não estava presente na reunião, mas foi contatado por telefone).

O Ministério Público Eleitoral entende que Anthony Garotinho comandada Campos de Goytacazes, apesar de sua mulher, Rosinha, ser a prefeita. Para os promotores, ‘a não contribuição para campanhas eleitorais poderia ensejar em prejuízos em relação aos legítimos direitos da empresa, principalmente em relação ao recebimento de valores devidos pelo município’.

De acordo com o delator Ricardo Saud, a JBS pagou R$ 3 milhões à campanha de Garotinho, em 2014, ao governo do Rio. Para realizar o pagamento, um contrato fictício teria sido firmado entre o Grupo e a empresa Ocean Link, cujo dono André Luiz da Silva Rodrigues também confessou ter intermediado o repasse.

Os promotores sustentam que o policial aposentado de apelido ‘Toninho’ ameaçou André, com o uso de arma de fogo, ao lado de duas ou mais pessoas, para que o empresário sacasse e entregasse a ele ‘a integralidade do dinheiro que havia sido transferido pela JBS, determinando inclusive que não deveria ser retido nenhum valor para eventual pagamento de impostos pela Ocean Link’.

“Toninho” também fez questão de escoltar André em seus deslocamentos até o Banco do Brasil e do Banco até sua residência, inclusive monitorando-o por telefone, enquanto dizia que havia outras pessoas com ele, seguindo André, tudo com o intuito de inibir qualquer reação ou oposição por parte de André”.

COM A PALAVRA, GAROTINHO E ROSINHA

“Querem calar o Garotinho mais uma vez

O ex-governador Anthony Garotinho atribui a operação de hoje a mais um capítulo da perseguição que vem sofrendo desde que denunciou o esquema do governo Cabral na Assembleia Legislativa e as irregularidades praticadas pelo desembargador Luiz Zveiter.

O ex-governador afirma que tanto isso é verdade que quem assina o seu pedido de prisão é o juiz Glaucenir de Oliveira, o mesmo que decretou a primeira prisão de Garotinho, no ano passado, logo após ele ter denunciado Zveiter à Procuradoria Geral da República.

Garotinho afirma ainda que nem ele nem nenhum dos acusados cometeu crime algum e, conforme disse ontem no seu programa de rádio, foi alertado por um agente penitenciário a respeito de uma reunião entre Sergio Cabral e Jorge Picciani, durante a primeira prisão do deputado em Benfica. Na ocasião, o presidente da Alerj teria afirmado que iria dar um tiro na cara de Garotinho.

Agora, a ordem de prisão do juiz Glaucenir é para que Garotinho vá com sua esposa para Benfica, justamente onde estão os presos da Lava Jato.

Cabe frisar que essa a operação à qual Garotinho e Rosinha respondem não tem relação alguma com a Lava Jato.”

COM A PALAVRA, O CRIMINALISTA DANIEL BIALSKI

O criminalista Daniel Bialski, defensor de Antônio Carlos Rodrigues, disse que o ex-ministro dos Transportes e presidente nacional do PR, deverá se entregar nesta quinta-feira. Bialski disse que Antônio Carlos Rodrigues está viajando, por isso não foi localizado pela Polícia Federal nesta quarta-feira, 22.

“O decreto de prisão é um absurdo. Como se decreta a prisão preventiva depois de tanto tempo do fato e se não há nada que realmente mostre que essa prisão é necessária?”, questiona Daniel Bialski, que nesta causa atua em parceria com Marcelo Bessa, advogado do partido presidido por Antônio Carlos Rodrigues.

“Você não tem qualquer elemento daqueles exigidos na lei para dizer que essa prisão dele e do genro (Fabiano) é realmente necessária para garantia da instrução penal, da segurança de testemunhas ou da ordem pública ou econômica”, enfatiza Bialski. “Os fatos são extremamente discutíveis, com base em uma delação.”

O advogado destaca que o ex-ministro dos Transportes do Governo Dilma (2012/2014) ‘sempre teve uma vida política e pessoal abolutamente impoluta, ocupou cargos importantes na política nacional’.

“A ordem de prisão soa, além de exacerbada, um tanto quanto exagerada.”

O criminalista informou que nesta quinta-feira, 23, deverá ingressar com habeas corpus. “Antônio Carlos Rodrigues está viajando, mas vai se apresentar, obviamente, porque nada tem a esconder e não pretende, de forma alguma, afrontar uma decisão judicial.”