Planilhas e notas fiscais indicam R$ 5,4 mi a Chalita, diz PF

Planilhas e notas fiscais indicam R$ 5,4 mi a Chalita, diz PF

Registros de voo, comprovantes de pagamentos e anotações do corretor financeiro Lúcio Funaro embasam relatório da Polícia Federal que impulsionou denúncia da Procuradoria contra 'quadrilhão' do PMDB na Câmara

Luiz Vassallo, Fábio Fabrini e Fábio Serapião

23 Setembro 2017 | 05h00

Gabriel Chalita. Paulo Gianlalia/Estadão

Em relatório que embasou a última denúncia do ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o ‘Quadrilhão do PMDB’, a Polícia Federal usou notas fiscais, planilhas e registros de voo do helicóptero do doleiro Lúcio Funaro para detalhar o capítulo ‘Pagamentos Realizados a pedido de Michel Temer (Gabriel Chalita)’. Em delação, o corretor financeiro disse ter pago R$ 20 milhões à campanha do então candidato peemedebista à Prefeitura de São Paulo supostamente por solicitação do então vice-presidente, em 2012. Os valores seriam oriundos de duas operações que desviaram recursos do Fundo de Investimento do FGTS.

Documento

A PF destaca que Funaro já havia falado na transação quando prestou depoimento em junho, no âmbito da Operação Patmos, que indicaria repasses de R$ 2 milhões ao senador Aécio Neves (PSDB) e de R$ 500 mil ao homem de confiança do presidente, Rodrigo Rocha Loures.

Segundo o doleiro, as operações no FGTS eram relacionadas a duas empresas que são alvo da Operação Sépsis.  “Diante disso, foi determinada analise de dados com informações contidas na contabilidade de Lúcio Bolonha Funaro, referentes os valores repassados em beneficio da campanha de Gabriel Chalita à Prefeitura da Cidade de Săo Paulo/SP no ano de 2012, o que resultou no Relatório de Análise de Polícia Judiciária nº 104/2017 – GINQ/DICORIPF”.

Segundo a PF, os valores teriam sido levantados com o dono da Gol, Henrique Constantino, detentor de grupo empresarial que controla a BRVias.

Funaro afirma, em delação, que ‘Henrique Constantino esteve no seu escritório e pediu uma prova de que o auxílio à campanha de Gabriel Chalita era um pedido do vice-presidente Michel Temer, no que Lúcio Funaro comunicou esse pedido a Eduardo Cunha, e em poucos minutos, ainda no escritório de Lúcio, o próprio vice-presidente teria ligado para Constantino agradecendo a disposição para realizar a doação’.

“Cabe salientar que o grupo Constantino é uma concessionária de serviço público, portanto, àquela época, já era proibida de fazer doação de modo que o repasse do recurso teria que ser necessariamente caixa dois”, dizem as investigações.

Os investigadores sustentam que ‘os repasses dos valores foram intermediados por Hugo Fernandes da Silva Neto, pessoa que, segundo Funaro, cuidava da companhia de Gabriel Chalita’, bem como por ‘Daniel’, pessoa vinculada a Joesley Batista’, da JBS. “Daniel organizava ajuda financeira da campanha de Chalita, por meio de pagamento de boletos”.

A PF identificou pagamentos para a gráfica All Win, que emitiu notas fiscais para empresas de Funaro.

A gráfica também foi identificada como uma das prestadoras de serviço declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral para a campanha de Chalita. Para os investigadores, a relação oficial mostra que ‘o contato de Chalita corn a All-Win não se dá somente pelos fatos descritos no Relatório de Análise de Policia Judiciaria’.

Sobre Hugo Fernandes, apontado como interposto do então candidato à Prefeitura, em 2012, a PF identificou a ‘Planilha Hugo’, onde estão registrados prováveis pagamentos que somam R$ 1,55 milhão entre maio de 2012 e abril de 2013.

A parte dos repasses que teriam sido realizados a Chalita feitos por Joesley está registrada na ‘Planilha Joe’.

“Por fim, ainda de acordo com relato de Lúcio Bolonha Funaro, outra forma de financiamento á campanha de Gabriel Chalita se deu através empréstimo de seu helicóptero durante o período de julho a dezembro de 2012, de acordo com registros especificados nas planilhas abaixo relacionadas. Ressalte-se que nas planilhas localizadas no HD (caminho indicado), foi aplicado o filtro sobre o passageiro Chalita, o que resultou nos dados compilados demonstrados a seguir”, afirma a Polícia Federal.

As planilhas apontam 32 voos de Chalita em helicóptero de Funaro, segundo os investigadores. Os deslocamentos teriam ocorrido entre agosto e dezembro de 2012.

A PFainda montou uma planilha com todos os registros encontrados em HDs do corretor que demonstram supostos repasses a Chalita.

“Verificou-se nas planilhas de Lúcio Bolonha Funaro que os valores repassados para a campanha de Gabriel Chalita à Prefeitura da cidade de Săo Paulo/SP do ano de 2012 em atendimento a solicitação do então vice-presidente Michel Temer e de Eduardo Cunha, se estenderam entre os anos de 2012 a 2013, totalizando o montante de R$ 5.460.000,00”, afirma o relatório da PF.

COM A PALAVRA, MICHEL TEMER

“Jamais houve tal fato. O presidente não cuidou de arrecadação para a campanha de Gabriel Chalita. O telefonema já foi publicado na Veja e O Globo e desmentimos pois jamais aconteceu”.

COM A PALAVRA, CHALITA

“Os recursos da campanha da eleição municipal de São Paulo de prefeito, vice e vereadores vieram do PMDB nacional, que se responsabilizou pela arrecadação. Deixei o PMDB há  2 anos e nunca tive nenhuma relação com Lucio Funaro”.

COM A PALAVRA, O GRUPO COMPORTE

“O Grupo Comporte segue colaborando com as autoridades para o total esclarecimento dos fatos.”