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Planilha mostra repasses a marqueteiro de Lula e Dilma e ‘acarajés’

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OPERAçãO LAVA JATO

Planilha mostra repasses a marqueteiro de Lula e Dilma e ‘acarajés’

Tabela teria sido criada por funcionária da Odebrecht Maria Lúcia Guimarães Tavares, que faria o controle dos pagamentos de propinas; João Santana recebeu mais de R$ 150 milhões por campanhas do PT, parte disso pode envolver dinheiro de corrupção, suspeita Lava Jato

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Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Andreza Matais e Mateus Coutinho

22 Fevereiro 2016 | 12h16

BRASILIA /DF 05/11/2010 NACIONAL SANTANA DILMA E LULA Eleicao Presidencial, 2010 - Segundo Turno: da esq. para a dir., a candidata do PT ‡ presidencia da Republica, Dilma Rousseff, o marqueteiro e jornalista Joao Santana, e o presidente Luiz Inacio Lula da Silva, durante reuniao no inicio da campanha para o segundo turno. FOTO Roberto Stuckert

O marqueteiro e jornalista João Santana, a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula FOTO Roberto Stuckert/Divulgação

A quebra do sigilo de um e-mail secreto do executivo Fernando Miggliácio, da empreiteira Odebrecht, levou a Operação Lava Jato à descoberta de uma planilha com dados relativos a repasses de valores para o PT e financiamento de campanhas eleitorais. Miggliácio está fora do País desde que o ex-presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, foi preso, em julho de 2015, na Operação Erga Omnes.

Segundo os investigadores, a empresa ‘blinda’ Miggliácio, inclusive custeando suas despesas no exterior para mante-lo à distância das autoridades. A Procuradoria da República chegou a pedir novo decreto de prisão de Odebrecht, mas o juiz federal Sérgio Moro não acolheu a solicitação.

A planilha com dados de campanhas eleitorais que está de posse da Lava Jato foi criada por Maria Lúcia Guimarães Tavares, segundo os investigadores. Ela foi presa nesta segunda-feira, 22, na Operação Acarajé, a 23.ª etapa da Lava Jato.

“Era a pessoa responsável pelo controle das entregas dos ‘acarajés’, como os investigados chamavam os valores repassados”, informou a Polícia Federal.

CONFIRA A ÍNTEGRA DA PLANILHA INTERCEPTADA PELA PF:

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A PF afirma que o alvo da Acarajé não são crimes eleitorais, mas sim corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa relativos a desvios na Petrobrás.

As informações da planilha trazem detalhes de despesas eleitorais de 2008 a 2012.

A Operação Acarajé destaca que Maria Lúcia é funcionária de executivos da Odebrecht – Fernando Miggliácio, Hilberto Mascarenhas e Luiz Eduardo Rocha Soares, controladores de contas no exterior, do grupo.

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O delegado da PF Filipe Hille Pace destacou que João Santana recebeu pelas campanhas eleitorais de 2008 e 2012 (municipais) e de 2010 e 2014 (presidenciais) mais de R$ 150 milhões. Segundo o delegado esses pagamentos são legais, foram declarados à Justiça eleitoral.

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“Ele (João Santana) recebeu no Brasil valores de campanhas de 2010, presidencial, e 2014, campanha presidencial, e 2012, atual prefeito de São Paulo (Fernando Haddad) e a campanha municipal 2008. Valores declarados que recebeu legalmente no Brasil. A gente espera que as buscas de hoje revelem o porque dos pagamentos no exterior. Chamou a atenção que ele (Santana) recebia tantos recursos no Brasil legalmente e precisaria esconder valores significativamente menores fora do Brasil. Quase R$ 50 milhões no Brasil. Por que 10% desse montante no exterior?”

O delegado disse que a Operação Acarajé quer saber o motivo de o marqueteiro ter recebido esse dinheiro fora do Brasil. Pelo menos US$ 3 milhões já foram identificados em contas nos Estados Unidos e na Inglaterra, em nome da offshore Shellbill Finance SA.

A Lava Jato tem elementos para acreditar que essa offshore era usada por Santana e sua mulher e sócia, Mônica Moura, de forma não declarada, para recebimentos no exterior. Outros US$ 4,5 milhões foram repassados para essas contas entre 2013 e 2014, pelo operador de propinas Zwi Skornicki, preso nesta segunda-feira. Ele é ligado ao estaleiro Keppel Fels, contratado da Petrobrás.

COM A PALAVRA, A ODEBRECHT

“A Odebrecht confirma operação da Polícia Federal em escritórios de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, para o cumprimento de mandados de busca e apreensão. A empresa está à disposição das autoridades para colaborar com a operação em andamento.”

COM A PALAVRA, A DEFESA DE JOÃO SANTANA:

“Informação  à Imprensa

 São Paulo, 22 de fevereiro de 2016 – O advogado Fábio Tofic protocolou hoje à tarde  junto à 13ª Vara Federal da Seção Judiciária de Curitiba, aos cuidados do  juiz federal  Sergio Moro, documento informando que o jornalista e publicitário João Santana e sua mulher Monica Moura já agendaram o seu retorno ao Brasil, o que ocorrerá na próximas horas para se apresentar à autoridades legais. Ambos se encontram no exterior a trabalho na República Dominicana, onde prestam serviços de  marketing para o candidato à reeleição à presidência naquele país, Danilo Medina.

O documento:

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL SERGIO MORO, DA 13ª VARA FEDERAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE CURITIBA (PR)

Procedimento n° 5002515-61.2016.4.04.7000

JOÃO CERQUEIRA DE SANTANA FILHO e MONICA REGINA CUNHA MOURA, já qualificados nos autos em epígrafe, vêm, por seus advogados, respeitosamente à presença de Vossa Excelência, expor e requerer quanto segue:

Os peticionários tomaram conhecimento, na manhã de hoje, pelos meios de comunicação, de que foram alvo de fase ostensiva da “Operação Lava Jato”.

Como, no entanto, já informado em petição previamente protocolada perante este d. Juízo, encontram-se fora do país, a trabalho. Todavia, já agendaram seu imediato retorno ao Brasil, movimento que deve ocorrer nas próximas horas.

Mesmo sem ter a informação oficial sobre a existência ou não de mandados de prisão, informam que, tão logo realizado o desembarque, apresentar-se-ão, imediatamente, às autoridades responsáveis pela investigação.

Por fim, esclarece que é mentirosa e leviana a alegação veiculada em alguns periódicos na manhã de hoje, de que teriam desistido de embarcar em vôo que chegaria hoje ao Brasil. O referido bilhete aéreo foi emitido pela agência de viagens há mais de uma semana por engano, tanto que cancelado no mesmo dia. Perversa, portanto, qualquer relação que se queira fazer entre esse fato e a operação deflagrada na data de hoje.

Termos em que, confiando que serão tomadas todas as medidas para que sua chegada ao país não se transforme em um odioso espetáculo público,

Pedem deferimento.

São Paulo, 22 de fevereiro de 2016.

Fábio Tofic Simantob Débora Gonçalves Perez

OAB/SP – 220.540 OAB/SP – 273.795

Maria Jamile José

OAB/SP – 257.047″

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