PGR pede mais 60 dias para PF concluir investigação sobre Aloysio

PGR pede mais 60 dias para PF concluir investigação sobre Aloysio

Raquel Dodge, chefe do Ministério Público Federal, sugere ampliação do prazo para diligências de pesquisa de dados e informações nos sistemas de comunicação e de contabilidade paralela da Odebrecht

Teo Cury e Amanda Pupo/BRASÍLIA

11 Abril 2018 | 13h50

Senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF), pedido para que a Polícia Federal conclua, dentro do prazo de 60 dias, a implementação da diligência de pesquisa de dados e informações nos sistemas de comunicação e de contabilidade paralela usados pela Odebrecht no âmbito do inquérito que apura se houve recebimento de vantagem indevida por Aloysio Nunes (PSDB-SP), quando senador.

Atualmente ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes é investigado por ter recebido da Odebrecht doações para a campanha eleitoral de 2010. O documento foi enviado ao ministro Gilmar Mendes, relator do inquérito, na Corte. Em novembro, o ministro admitiu em declarações à Polícia Federal ter pedido doações e assumiu ainda ter se reunido no Palácio dos Bandeirantes com o delator Carlos Armando Paschoal, o CAP, que o acusa de receber R$ 500 mil em caixa 2, por meio de dois repasses.

No parecer, a procuradora-geral pede ainda que a PF tenha acesso e possa analisar a lista de hóspedes de hotéis da cidade de São Paulo, onde eram feitas as entregas de dinheiro pago pela Odebrecht a Aloysio Nunes, de acordo com depoimento de Carlos Armando Paschoal, ex-executivo da empreiteira, à PF. Paschoal afirma que “(..) o representante de Aloysio Nunes indicou hotéis na zona sul de São Paulo como local para o recebimento das duas parcelar de R$ 250.000.00.”

“Feito este breve relato, requeiro o retomo do Inquérito à Polícia Federal, pelo prazo de 60 dias, para a implementação da diligência de pesquisa de dados e informações referida no Despacho de fls. 88/90, além da conclusão da que se encontra pendente”, escreve Raquel, no documento assinado em 5 de abril.

A manifestação da procuradora-geral é uma resposta à solicitação de 8 de março do delegado Leandro Alves Ribeiro, responsável pela investigação no âmbito da Polícia Federal.

“Diante do término do prazo fixado para a realização de diligências nos autos do presente Inquérito, remetam-se os autos ao Supremo Tribunal Federal, pugnando pela prorrogação de prazo (60 dias) para o conclusão das investigações, em especial o recebimento e análise da lista de hóspedes dos hotéis da cidade de São Paulo/SP, bem como para apreciação do pedido feito pela Polícia Federal para acesso irrestrito aos sistemas de comunicação (“Drousys”) e contabilidade paralela (“My Web Day B”) do grupo ODEBRECHT e, caso deferido o acesso, para a realização de análise dessas informações no interesse do presente Inquérito”, escreveu Ribeiro.

À reportagem, o ministro afirmou esperar que essa seja a última prorrogação. “A Constituição garante aos cidadãos duração razoável das investigações. Eu também espero que isso se aplique aos inquéritos.”

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