PGR deve dar parecer favorável à prorrogação do inquérito dos Portos

PGR deve dar parecer favorável à prorrogação do inquérito dos Portos

Broadcast Político apurou que Procuradoria-Geral da República deve enviar ainda nesta sexta, 4, ao Supemo parecer endossando pedido da Polícia Federal pela ampliação do prazo das investigações que miram Temer

Amanda Pupo, Rafael Moraes Moura, Teo Cury e Fabio Serapião/BRASÍLIA

04 Maio 2018 | 14h49

Sede da Procuradoria-Geral da República em Brasília. FOTO: ANDRE DUSEK/ESTADÃO

A Procuradoria-Geral da República deve enviar ainda nesta sexta-feira, 4, ao Supremo Tribunal Federal (STF) manifestação favorável ao pedido da Polícia Federal pela prorrogação das investigações do inquérito do Decreto dos Portos por mais 60 dias, apurou o Broadcast Político. Então caberá ao ministro relator do caso, Luís Roberto Barroso, autorizar a solicitação.

Na quinta-feira passada, 26, o delegado federal Cleyber Malta enviou o pedido a Barroso, e elencou quatro pendências a serem superadas para encerrar a investigação. A partir disso, o ministro enviou o requerimento para a análise da PGR. O inquérito tem como alvo o presidente Michel Temer e apura se ele teria beneficiado a empresa Rodrimar na edição de um decreto sobre o setor portuário.

Para o delegado do caso, a prorrogação é necessária para que seja concluído o recebimento e a análise “dos dados telemáticos, bancários e fiscais” dos investigados. A PF, no fim do ano passado, pediu a quebra de sigilo de Temer, de seu amigo, o coronel João Baptista da Lima Filho, e do seu ex-assessor José Yunes. A quebra foi autorizada pelo ministro Barroso. No entendimento do investigador, a análise desse material é “imprescindível para o esclarecimento dos crimes investigados”.

Além dos sigilos dos investigados, Malta argumenta pela necessidade de receber e analisar o material relacionado a uma apuração antiga sobre o Porto de Santos, o inquérito 3105/STF. Em um relatório de análise produzido na investigação, a PF cita uma planilha desse inquérito com citações a um sigla (MT), que seria Michel Temer, atrelada a valores.

Segundo a PF, a planilha ‘contém aparentes referências a quase todos atores citados’ no inquérito sobre o decreto dos Portos que tramita sob a relatoria do ministro Luís Roberto Barroso no STF.

O delegado também pede mais tempo para poder concluir a análise do material apreendido na Operação Skala, que prendeu Yunes e o coronel Lima, em março. Segundo o investigador, já foi solicitado o apensamento desse material no inquérito para que as informações sejam processadas de forma conjunta.

Por fim, como forma de dar fim a investigação que pode resultar na terceira denúncia contra o presidente, Malta afirma que é importante ouvir outros ‘investigados e testemunhas de interesse para o esclarecimento do caso’.

Nesta quinta-feira, 3, a psicóloga Maristela Temer, filha do presidente, disse em depoimento à Polícia Federal que recebeu ‘uma ajuda de camaradagem, amizade, quase familiar’ do coronel Lima. A suspeita da PF é que despesas com a reforma da casa de Maristela – de 350 metro quadrados – teriam sido quitadas com valores em espécie supostamente oriundos de propinas arrecadadas pelo coronel Lima.

Ela afirmou que foi a responsável pela obra e, para isso, recebeu ajuda financeira da mãe e também tomou empréstimo bancário. Declarou que não recebeu nenhuma ajuda em dinheiro do Coronel ou da empresa dele, Argeplan. Segundo Maristela, o coronel e sua mulher fizeram orçamentos iniciais, cotação de preço com algumas empresas, para fazer a obra. Mas ela própria acabou rechaçando porque, segundo explicou, eram valores que quase se igualavam ao preço que ela havia pago pela casa.

Por meio de suas defesas, Temer, Yunes e o coronel Lima negam envolvimento em irregularidades.